O segundo dia da nova modalidade de pagamento de passagem de ônibus somente no cartão demonstrou que os passageiros têm enfrentado algumas dificuldades. Poucos atendentes disponíveis nos postos de atendimento do Cartão Mobilidade BRB e o sistema que não atualiza são algumas das reclamações. Segundo a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob), com o início da implantação do sistema 100% eletrônico para pagamento de passagens, o Governo do Distrito Federal (GDF) passou a contar com 30 novos pontos de atendimento aos usuários do Cartão Mobilidade, a fim de otimizar o atendimento.
Uma das reclamações da estudante Cristine Martins, 23 anos, nesta terça-feira (2), era a dificuldade para fazer a recarga do cartão, que segundo a informaram, só poderia ser com dinheiro físico. “Eu fiquei sabendo agora que posso fazer a recarga via PIX, mas é um pouco chato”. A estudante estava tentando fazer o Cartão Mobilidade na Galeria dos Estados. Para Cristine, o acesso aos pontos de atendimento deveriam ser melhores. “O meu incômodo é que tem que vir até a Central ou a Galeria, para fazer o cartão. Antigamente, podia fazer esse tipo de procedimento em qualquer estação de metrô”.
A frentista Maria Chiliene, 36 anos, nunca tinha usado esse tipo de cartão e pegava o ônibus todo dia comprando a passagem com dinheiro. Mas ao tentar realizar o cadastro para poder usar essa modalidade de pagamento, já que não poderia mais continuar sem um cartão, Maria descobriu que já tinha um cartão no nome dela. “Constou que a última vez que usei foi em março, e que eu usava desde 2011. Então tive que pagar uma taxa de R$5,50 para pegar uma segunda via”. Ela está chateada e vai abrir uma ocorrência. “Me deu uma dor de cabeça com tudo isso.

Cristiana dos Santos, 47 anos, é agente de negócios e estava num dos postos do Cartão Mobilidade, para tentar resolver um problema do passe estudantil do filho que no dia primeiro de julho, estava constando como sem saldo. Como ela conta, não atualizou no sistema do BRB Mobilidade algumas coisas que ela já tinha solicitado a atualização. “Eu coloquei lá no site o anexo da declaração da nova escola dele, do ensino fundamental, e escola de inglês. Além disso, Cristiana também aponta que houve uma desatualização do sistema quanto às férias escolares, já que algumas escolas ainda não entraram de recesso.
Era para o filho de Cristiana estar recebendo dois passes de acordo com o que ela informou no site. “Mas na segunda-feira ele passou um constrangimento quando o cartão não passou”. A sorte foi que os horários do filho coincidem com os dela, e Cristiana conseguiu pagar a passagem do filho. Apesar do transtorno, ela elogiou o atendimento no posto da Galeria dos Estados. “A demanda é muito grande. Muitas pessoas dependem do cartão estudantil, do vale transporte e do Cartão Mobilidade”.
Otimização do sistema
De acordo com a Semob, em junho foram emitidas 24.144 unidades do Cartão Mobilidade, um número bem maior do que os 12.384 cartões emitidos no mesmo período do ano passado. Além disso, no dia 1º de julho, os postos de atendimento aos usuários bateram recorde de emissão do Cartão Mobilidade. Em um só dia, 1.878 pessoas adquiriram o cartão de uso exclusivo no transporte público coletivo do DF.
Para otimizar o atendimento dos usuários, o Governo do Distrito Federal abriu mais 30 pontos de atendimento do Cartão Mobilidade. A população também pode contar com cinco unidades do Na Hora com o serviço de emissão do Cartão Mobilidade em Taguatinga, Ceilândia, Brazlândia, Gama e Riacho Fundo. Segundo a pasta de mobilidade, as concessionárias do transporte público coletivo do DF também estão habilitadas para emitir e fazer recarga do cartão. Os pontos operados pelas concessionárias funcionam principalmente nos terminais rodoviários.
A Secretaria de Transporte e Mobilidade esclareceu em nota que o pagamento da recarga no PIX é feito pelo aplicativo BRB Mobilidade. Ao fazer o pagamento, é necessário que o usuário reinicie o aplicativo, ao abrir e fechar novamente para que a recarga apareça no saldo de créditos.
Segundo o BRB Mobilidade, o cadastro para ter acesso ao Cartão Mobilidade é feito no site. Depois de preenchido esse cadastro, o usuário deve se deslocar a um ponto de atendimento para retirar o cartão.
A movimentação dos passageiros nos primeiros dias sem dinheiro vivo nos ônibus
Segundo a Semob, no primeiro dia de funcionamento do sistema 100% eletrônico em 52 linhas de ônibus do transporte público coletivo do DF, o pagamento de passagens com dinheiro em espécie caiu de 24,9% para 19,4%. Apenas na segunda-feira (1o), 5,5% das tarifas de todo o sistema passaram a ser pagas por meio de cartões bancários (débito ou crédito) ou do Cartão Mobilidade, fornecido pelo GDF.
A assistente administrativa Mirelle Carvalho, 37 anos, estava esperando o ônibus com destino ao Pistão Sul, uma das linhas que aderiram ao método de somente cartão. Ela acredita que esse sistema de pagamento está fácil para as pessoas que pegaram o transporte público no início do ponto. “Mas aquelas pessoas que entraram no decorrer do percurso e que estavam com dinheiro, precisaram sair do ônibus porque não tinham como pagar”, observou. Mirelle descreve a cena que presenciou no segundo dia da nova modalidade, em que algumas pessoas até tinham cartão de crédito e isso as salvou na hora de passar na catraca.

A estudante de administração Alessandra Rodrigues, 20 anos, está achando interessante o novo sistema de pagamento da tarifa de ônibus. “Eu só acho que falta espalhar mais a informação para as pessoas que têm menos acesso à informação, por exemplo”. Para Alessandra, uma divulgação mais massiva dessa medida iria facilitar mais para o lado de todos usuários do transporte público. “No caso, como essas pessoas poderiam estar recarregando seus cartões para não ter muita dificuldade, ou na hora de passar sem saber que não está mais aceitando dinheiro”, comentou.

O empresário Raphael Augusto Rodrigues, 38 anos, sempre pegou ônibus com dinheiro e nunca teve o hábito de usar o cartão. Com a nova medida, Raphael precisou realizar o cadastro para ter um Cartão Mobilidade e se surpreendeu com a rapidez do atendimento. Fui atendido em 20 minutos e apesar de estar bem lotado, está fluindo rápido”. O empresário espera que a partir de agora, pegar ônibus seja mais fácil e que diminuam os assaltos. “Eu sempre fui a favor desse tipo de medidas. E eu espero que seja para melhor”.
