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Brasília

Pacientes do Hran celebram Dia da Conscientização sobre Fissura Labiopalatina

Hospital Regional da Asa Norte é referência no atendimento gratuito e especializado a pacientes com a condição congênita

Redação Jornal de Brasília

24/06/2025 16h52

Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde

Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde

A música suave do violino preencheu o auditório do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) nesta terça-feira (24), durante o evento “Sorrisos que inspiram”, em alusão ao Dia Nacional de Conscientização sobre Fissura Labiopalatina. A protagonista da apresentação foi Juliana Verde, 35 anos, professora de violino e paciente do hospital, que emocionou o público ao compartilhar sua história e talento.

Natural de Manaus, Juliana nasceu com fissura labiopalatina e enfrentou uma longa jornada de tratamentos desde a infância, incluindo diversas cirurgias reconstrutivas. Em 2024, ela concluiu a última etapa do processo, com intervenções no nariz e no lábio realizadas no próprio Hran. “Eu não sabia que o hospital oferecia esse atendimento especializado. Fiquei encantada com a forma como fui acolhida. A gente precisa divulgar que esse serviço existe e é gratuito”, afirmou.

Ao lado de seus alunos, Juliana protagonizou uma apresentação marcante. Entre os jovens músicos estava Calebe Rodrigues, de 9 anos, também paciente do Ambulatório de Fissurados do Hran. Diagnosticado com a síndrome de Opitz-Frias — uma condição genética rara que afeta a formação facial —, Calebe é acompanhado desde os primeiros dias de vida e já passou por quatro cirurgias.

“Nas aulas de violino, o Calebe é tratado pelos colegas como um igual. É bonito de ver. Ele e os outros alunos que têm a fissura são extremamente inteligentes e totalmente capazes. O que falta é a sociedade enxergar isso com naturalidade, sem preconceito”, destacou Selma Rodrigues, mãe do menino.

Atendimento multidisciplinar e referência no Centro-Oeste

O Ambulatório de Fissurados do Hran é referência não só no Distrito Federal, mas em toda a região Centro-Oeste, acolhendo também pacientes de outros estados. Mais de mil pessoas estão cadastradas no serviço, que conta com uma equipe multidisciplinar formada por cirurgião plástico, fonoaudiólogo, dentista, psicólogo, nutricionista, entre outros profissionais.

De acordo com o coordenador do serviço, cirurgião plástico Marconi Delmiro, a fissura labiopalatina ocorre entre a 4ª e a 12ª semana de gestação e pode comprometer o lábio, o palato (céu da boca) ou ambos. As consequências vão desde dificuldades na alimentação e na fala até impactos emocionais e sociais. “O tratamento precisa começar cedo. Quando a operação do palato é adiada, a criança pode levar até oito anos para desenvolver a fala normalmente”, alerta.

O serviço, oferecido integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tem início ainda na gestação, com o acolhimento dos pais. Após o nascimento, os bebês são avaliados e, a partir disso, é elaborado um plano cirúrgico individualizado. “Cada fissura tem suas particularidades. Nosso objetivo é devolver dignidade e qualidade de vida aos nossos pacientes”, reforça Delmiro.

Desde sua criação, em 2013, o Serviço Multidisciplinar do Hran já impactou positivamente a vida de centenas de famílias. O atendimento para primeira avaliação ocorre às segundas-feiras, das 13h às 18h. Nos demais dias, das 8h às 18h, são realizadas consultas com agendamento prévio.

Com informações da Secretaria de Saúde

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