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Brasília

Pacientes da saúde pública ficam sem atendimento

Arquivo Geral

15/04/2015 6h00

Aos que procuram o Centro de Saúde   4 de Taguatinga, a afirmativa é uma só: “Estamos sem sistema”. A situação se arrasta desde a última quinta-feira, impedindo   procedimentos simples, como   marcação de consultas e exames. Por suposta falta de pagamento, sem linhas telefônicas e acesso à internet, o posto está quase vazio, uma vez que os que chegam  se deparam com a situação   e retornam para casa sem previsão de atendimento. O governo nega o corte dos serviços, mas admite a falha no sistema, que ocorre em várias unidades. A denúncia foi enviada ao JBr. por leitores, via Whatsapp.

Lorena Carvalho, 46, supervisora de vendas, queria marcar uma consulta com um clínico-geral, mas não conseguiu: “É um absurdo. Estou há quase uma semana tentando. A vontade é de desistir, porque não dá para ficar aqui esperando o sistema voltar. A gente trabalha e tem outras obrigações”, desabafa.

Reclamações

A dona de casa Jesuína Rosa de Souza, 44, saiu do posto  irritada e reclamou: “Está cada vez pior. Éramos mal atendidos, mas agora nem atendidos somos. Aqui está vazio e não é por eficácia de atendimento, mas por falta dele”.

A aposentada Darvina Aparecida de Moura, 54, é diabética e necessita de exames e acompanhamento periódicos. “Precisava fazer exame de sangue e urina. Mandaram voltar depois para ver se o sistema retornou. Ainda faço uso de dois remédios, mas aqui só encontrei um”, conta.

Os problemas   não param por aí. Os próprios funcionários dizem que precisam de uma atenção maior. Um deles revela: “Ficamos com os pés e as mãos atados. Telefone e internet estão suspensos. Não sabemos se o corte de gastos está relacionado com a situação, mas é o que parece. Fico com dó dos pacientes, porque faltam  profissionais, faltam medicamentos. Falta muita coisa”.

Faltam medicamentos

Com o braço quebrado, Thalisson Rauan, 22 anos,  foi ao Centro de Saúde   4 de Taguatinga   obter os remédios que o médico havia prescrito. “Disseram que está em falta e sem data de reabastecimento. Já que não conseguem oferecer um atendimento de qualidade, deveriam fechar as portas”, opina.
 
A aposentada Conceição Rezende, 64 anos,  sofre com pressão alta e diabetes e queria fazer o cadastro para obtenção do cartão do SUS. “Toda vez que eu venho, não dou sorte. Já é a terceira vez que volto para casa sem uma solução. Fica difícil cuidar da minha saúde”, reclamou.
 
Em outros dois postos, percebe-se que a situação não é de exclusividade. Nos  centros de Saúde   4 de Ceilândia e    1 de Samambaia Norte, também há reclamações a respeito da lentidão do sistema.
 
A porteira Adriana Jesus Martins, 38 anos,   diz que, apesar de o sistema estar em funcionamento, o fato não é uma constante: “Toda hora fica caindo. A atendente tem que fazer rapidamente o cadastro, porque se cair de novo demora muito pra voltar. Isso quando volta”.

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