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Brasília

P Sul se mobiliza por segurança

Arquivo Geral

27/11/2017 7h00

Manifestantes expuseram as reivindicações aos militares. Foto: Myke Sena

Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

A insegurança e os constantes assaltos fizeram com que cerca de 40 pessoas saíssem de casa ontem para protestar. Cansados da criminalidade, moradores do Setor P Sul pediram mais segurança em frente ao 8º Batalhão da Polícia Militar, em Ceilândia. As principais queixas são a falta de ronda e de ações ostensivas.

Segundo a Polícia Militar, só neste mês, até o dia 25, 384 ocorrências foram atendidas no P Sul, chegando a uma média de 15 por dia. Destas, 80 foram encaminhadas à delegacia. Dez armas de fogo foram apreendidas na região.

A quantidade de casos assusta os moradores. Por isso, essa não é a primeira manifestação do grupo. O advogado Clemilton Saraiva, 53 anos, conta que já houve três atos pedindo mais ações da PM: “É um protesto que tem o foco principal nas mulheres. São assaltos logo cedo nas paradas, quem precisa pegar o primeiro horário dos ônibus fica com receio. A outra questão são os roubos e furtos a residências. E ainda há as drogas, tem pontos próximos de escolas, creches”.

A nutricionista Michelle Gandhia, 26 anos, foi assaltada pela segunda vez no último sábado, por volta das 14h. Ela tinha acabado de sacar dinheiro no caixa eletrônico. “Quando eu saí, ele colocou uma faca nas minhas costas e pediu o dinheiro. Eu não sei se ele me seguiu, porque ele me pegou por trás. Eram só R$ 30, mas dá medo mesmo assim”, conta.

Michelle não registrou boletim de ocorrência. “Da primeira vez, há dois meses, foi com arma. Fui à delegacia, mas me mandaram de volta para casa. Fiquei revoltada e não quis mais fazer”, alega. Para evitar mais roubos, a nutricionista só vai até a parada na companhia do namorado. “Saio cedo de casa morrendo de medo. Também guardo o celular dentro da calça e não saio sozinha à noite”, comenta.

A dona de casa Elisângela Arruda, 40, também passou a adotar atitudes para evitar assaltos. Ela tem um filho de quatro anos, que precisa estar sempre na cadeirinha do carro. “Evito levá-lo à padaria, mercado, porque ao chegar preciso tirá-lo da cadeirinha. Nisso, fico de costas e demora um tempo. Em um minuto, um bandido pode fazer algo”, aponta. “Quando paro na porta da escola, estaciono de ré. Assim eu tenho uma visão mais geral de tudo que está perto de mim. Se acontecer algo, fica mais fácil também para sair”, completa.

Apoio da polícia

No protesto, os manifestantes puderam entrar no batalhão para conversar com os policiais e explicar as reivindicações. A corporação garantiu que implementará mudanças. “Receberam a gente de forma parceira e educada. De antemão informaram que vão pedir apoio da cavalaria e do Bope. Falaram que as câmeras voltarão a funcionar e repassaram um telefone direto do batalhão para qualquer problema, e assim não precisa ligar no 190”, explica o vigilante e organizador do protesto, Anderson Souza, 39 anos.

Para o próximo domingo, o grupo promete mais ações: “Vamos nos reunir em frente à 23ª DP. É preciso uma ação integrada entre as polícias”, conclui Anderson.

Versão oficial

Em nota, a Polícia Militar do Distrito Federal informou que, por meio do 8º Batalhão, realiza “policiamento diuturnamente com viaturas de quatro e de duas rodas e policiamento a pé”. Além disso, garantiu que não há falta de efetivo para fazer as rondas na região.

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