Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@jornaldebrasilia.com.br
O Conselho Tutelar de Formosa resgatou, nessa quinta-feira (3), dois irmãos, de 4 e 6 anos, após denúncia de maus-tratos, no Assentamento Morrinhos, em Goiás, e as levou para um abrigo social em Formosa. Os dois são irmãos das crianças de 9, 12 e 13 anos resgatadas na quarta (2), na mesma região.
Segundo informações do Conselho Tutelar de Formosa, os dois irmãos estão na cidade goiana, enquanto os outros três continuam em Santa Maria (DF). Além disso, ainda não se sabe quando os cinco poderão ficar juntos. As crianças estavam sendo ameaçadas de morte por um homem, que tem em torno de 40 anos, pai do mais novo e padrasto dos outros dois.
A Polícia Militar também participou da operação, mas não prendeu o homem por falta de provas. A mãe das crianças se recusou a acompanhar os filhos no Conselho Tutelar. Além de trabalho infantil, os garotos eram submetidos a agressões físicas e psicológicas e não estavam se alimentando corretamente.
Para Patrícia* (nome fictício), que resgatou os três irmãos na madrugada de quarta-feira (02), é um alívio saber da notícia. “São mais duas vidas salvas. Se o Conselho Tutelar entende que era preciso resgatá-los é porque eles estavam em uma situação completamente desumana”, afirma.
- João Stan/Jornal de Brasília
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Relembre o caso
O resgate das três primeiras crianças foi realizado por um casal de Santa Maria. O casal possui um lote no mesmo assentamento em que os meninos moravam. Eles passaram a desconfiar do dia a dia das crianças depois de verem os irmãos trabalhando no frio e apanhando.
“A pessoa que resgatou os meninos, depois de ver ver vários erros na rotina das crianças, resolveu passar o número dela, dizendo que se acontecesse qualquer coisa, eles podiam ligar para ela”, conta o conselheiro tutelar Hessley Santos, de Santa Maria.
Após serem ameaçados de morte, por volta das 4h, o menino mais velho lembrou do número de telefone e acabou ligando para a mulher a fim de pedir ajuda. Muito assustadas, as crianças chegaram no Conselho Tutelar de Santa Maria por volta das 8h. “Eles chegaram desnutridos, sujos e com hematomas pelo corpo. Agora, estão um pouco mais tranquilos, mas falam a todo momento que não querem voltar pra casa”, afirma.
Ao Conselho Tutelar, as crianças disseram que eram obrigadas a trabalhar durante a noite e até mesmo a roubar e matar gados. “Eles contam que sabem desossar a vaca, porque depois de matar eles que tinham que preparar a carne. Apesar de também ter que tirar leite, o mais novo falou que eles não podiam beber”, detalha o conselheiro.










