Jonathan de Sousa Silva, price 19 anos, morador de Ceilândia, é medalha de ouro em Jardinagem e Paisagismo na etapa nacional da Olimpíada do Conhecimento 2008, realizada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em Curitiba (PR). Hoje, o talentoso rapaz luta pela vida em uma cama da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Lúcia. Ele está em coma há quase um mês depois de ter sido atropelado em plena faixa de pedestres no centro de Taguatinga, no último dia 7.
O motorista, identificado pela polícia como José Silva Leão, 55 anos, fugiu sem prestar socorro,
foi perseguido por testemunhas e preso em flagrante. No entanto, pagou fiança e foi liberado para aguardar pelo indiciamento por lesão corporal em liberdade. O corpo de Jonathan foi arremessado a 50 metros do local onde ocorreu o acidente. O motorista não atropelou apenas o rapaz, mas passou por cima dos sonhos de toda a sua humilde família que via em Jonathan uma esperança para um futuro de sucesso.
A mãe dele, a costureira Dinalva de Souza Silva, 40 anos, relatou o sofrimento dos parentes
peregrinando por instituições de saúde do Distrito Federal desde o dia do acidente. Depois de receber os primeiros socorros no Hospital de Ceilândia, o rapaz foi encaminhado para um laudo
neurológico no Hospital de Base. Porém, não havia vaga na UTI e a família precisou acionar a Justiça para conseguir uma transferência para internação em hospital particular.
“A promotora chegou a ameaçar prender o médico caso ele não desse o laudo que atestava
que Jonathan corria risco de morte”, reclama Dinalva. Ela relembra, com a voz embargada,
as horas de angústia até a chegada da ordem judicial que autorizava a transferência. O acidente
ocorreu por volta das 14h e Jonathan só foi para a UTI do Santa Lúcia às 0h do dia seguinte.
“A Justiça existe sim, se corrermos atrás e tivermos fé em Deus”, ensina a mãe, que precisou
recorrer à Defensoria Pública e ao apoio de amigos. Jonathan foi atropelado em uma sexta-feira quando havia acabado de assistir a última aula de trânsito para retirar a tão almejada carteira de habilitação. “Ele (o motorista) parou com o sonho do meu filho por um tempo e quem sabe até para sempre”, indigna-se Dinalva.