Nesta terça-feira (27), às 20h, a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro (OSTNCS) recebe o regente polonês Henrique Morelenbaum e a solista Eudóxia de Barros. No programa, obras de Leopoldo Miguez, Osvaldo Lacerda e Claudio Santoro.
Leopoldo Miguez é conhecido do grande público por ter composto a música do “Hino da Proclamação da República”, em 1890. Ele foi, no entanto, bem mais do que isso, apesar de, nas histórias convencionais da música brasileira, ser colocado ao lado de Glauco Velásquez e Henrique Oswald no grupo dos “compositores menores”.
É no mínimo injusto aplicar uma régua nacionalista para qualificar estes três compositores talentosos, cada um a seu modo. Hoje, é claro, este ranço não mais existe. E, assim, é possível apreciar as audácias de Velásquez, assim como degustar a consistência técnica de Oswald e Miguez.
O compositor aderiu com entusiasmo ao formato do poema sinfônico. E este “Prometheus”, que poderá ser apreciado nesta terça, bem pode ter sido sua incursão mais bem-sucedida no gênero.
Logo após, “Cromos para piano e orquestra” de Osvaldo Lacerda. O compositor paulista Osvaldo Lacerda é daqueles criadores musicais que fazem da consistência e pleno domínio técnico de seu metiê a pedra de toque de uma obra expressiva. A frase, aliás, aplica-se igualmente a seu mestre Camargo Guarnieri (Lacerda estudou com ele por uma década, entre 1952 e 1962). Em seguida, estudou nos Estados Unidos com Aaron Copland, mas com certeza é de Guarnieri a maior influência sobre este compositor que possui um talento melódico memorável, que se espraia por uma importante e volumosa quantidade de canções, música de câmara e peças para piano.
Fechado a noite com chave de ouro, a “Sinfonia no. 5”, de Claudio Santoro. Não por acaso esta é uma das mais executadas obras do compositor amazonense. Ela possui mais do que um sabor inegavelmente nacionalista. Representa, mesmo, o momento culminante da adesão do compositor à estética nacionalista.
Mas isso não queria dizer um atrelamento ao maior compositor nacionalista daquele momento, Heitor Villa-Lobos. Ao contrário, depois de ter participado do Congresso dos Compositores Soviéticos, em Praga, em 1948, Santoro abraçou decidido a estética do realismo socialista. Trocando em miúdos: música fácil de ser entendida pelo povo, em grandes invencionices ou formalismos exagerados.
O concerto da Orquestra Sinfônica será nesta terça, 27 de abril, às 20h, na sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. A entrada é franca mediante retirada de ingressos na bilheteria, até o limite de lotação da sala.
Serviço
Concerto da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional. Terça-Feira (27), às 20h, na sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. Regência: Henrique Morelenbaum. Solista convidada: Eudóxia de Barros. Entrada franca mediante retirada de ingressos na bilheteria, até o limite de lotação da sala. Classificação indicativa: 12 anos. Informações: 3325-6232.