Raphaella Sconetto
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Moradores do Setor de Mansões Isoladas Norte reclamam do abandono do Parque de Uso Múltiplo da Enseada Norte. O local é utilizado por criminosos para desovar carros roubados, cometer estupros e até abandonar corpos. Para quem habita as proximidades, se houvesse urbanização no parque, o espaço seria mais seguro. Em nota, o Instituto Brasília Ambiental apontou que o terreno será recategorizado, para poder ser conservado a preservação.
Segundo o diretor da Associação dos Proprietários do Setor de Mansões Isoladas Norte (Aspromin), Antônio Carlos Osório Filho, o parque está abandonado desde sua criação, em 2006. “O problema todo é a falta de urbanização. Nunca fizeram nada para a construção do parque”, resume.
Antônio tem um lote na região há dez anos, ma só há três anos passou a morar no setor. “ Depois que me mudei fizemos vários pedidos de melhorias. Aí conseguimos asfalto e já fizeram uma poda no mato alto”, diz.
Na semana passada, no dia 15 de outubro, dois carros pegaram fogo no parque. Bandidos usaram o local para desovar e desmontar os veículos. “Vieram com um e deixaram. Aí vieram com outro e tiraram as rodas dos carros. Eles estavam em um terceiro carro, colocaram fogo e foram embora. Pelas placas vi que eram carros roubados”, afirma Osório.
O diretor da Aspromin aponta ainda que na região são comuns relatos de outros crimes. “Já teve estupro, assassinato, despejaram um cadáver. É uma região sem segurança, está sempre acontecendo algo. Virou uma desordem”, critica.
Para ele, todos os problemas seriam resolvidos se houvesse a urbanização do espaço. “ Aqui é uma área fantástica, com vista para o lago. É só urbanizar, colocar banheiro, grama… De que adianta criar um parque e não construir? Então loteia, porque não adianta deixar do jeito que está”, dispara.
Osório tem receio de que a orla dos lagos Sul e Norte, que foram desobstruídas pelo governo, apresente os mesmos problemas que os moradores do Setor de Mansões Isoladas Norte. “ Lá era uma área toda urbanizada, que estava pronta. O problema é que estava cercada, mas o governo não tinha despesa. Eu entendo porque os moradores cercavam. Era uma forma de segurança”, levanta. “Faria muito mais sentido construir algo aqui para a população”, complementa.
Esqueleto
No Parque da Enseada Norte há uma estrutura que seria a Escola Superior de Guerra. Ela começou a ser construída em 1970, durante o governo militar, mas não havia recursos para terminar a obra, que ficou só na base.
“Ela está desabando, tem 40 anos de construção. Tinha uma laje que já desabou. Isso é um risco porque sempre tem gente andando em cima, na laje, para tirar foto, fazer um churrasco com os amigos. É risco de morte, qualquer hora pode desabar com gente em cima”, aponta Osório.
Além dos problemas de estrutura, a construção preocupa em época de chuva. “As pessoas vêm, reúnem os amigos e deixam entulho. Na época de chuva, a água fica parada e vira foco de dengue”, completa.
Endereço vai se tornar unidade de conservação
Por meio de nota, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) informou que o Parque Enseada Norte, onde estão localizadas as ruínas da Escola Superior de Guerra, é mais uma das áreas do Sistema Distrital de Unidades de Conservação (SDUC) que estão passando por processo de recategorização.
“O parque será categorizado como Ecológico. Esse processo é previsto na Lei Complementar 827/2010, em cujo Art. 18 define parque ecológico como áreas essenciais para se conservar amostras dos ecossistemas naturais, da vegetação exótica e paisagens de grande beleza cênica, além de propiciar a recuperação dos recursos hídricos, edáficos e genéticos, das áreas degradadas e promover sua revegetação com espécies nativas”, explica.
O Ibram esclarece que realiza estudos para elaboração do plano de manejo da área, que é o primeiro passo para a recategorização.
Patrulhamento
A respeito da criminalidade, a Polícia Militar do Distrito Federal apontou que está com uma ordem de serviço para intensificar a segurança no local. “A PMDF disponibilizou policiamento 6 horas por dia, além do patrulhamento ostensivo ininterrupto de 24 horas por meio de viaturas”, conclui.
Saiba mais
- Uma ocupação irregular na orla também incomodou bastante moradores do Lago Sul. Nas QLs 6 e 8, moradores de rua começaram a invadir o espaço com barracos de lona.
- Para o presidente da Associação dos Amigos do Lago Paranoá (Alapa), Marconi de Souza, a situação mostrava que a desobstrução da orla a deixou abandonada.
- Por nota, a Agefis informa que, em duas semanas, removeu seis barracos atrás da QL 6/8 e um atrás da QI 11.