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Brasília

Operação mira rede que coagiria jovens a automutilação no ambiente digital

Segunda fase da Operação Lívia cumpre 12 medidas judiciais no DF e em quatro estados contra investigados por crimes praticados em comunidades virtuais

Isabele Mendes

15/09/2026 17h59

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Uma rede criminosa investigada por crimes de ódio, misoginia, crueldade contra animais e coerção de crianças e adolescentes no ambiente virtual é alvo, nesta terça-feira (15), da segunda fase da Operação Lívia. Ao todo, são cumpridas 12 medidas judiciais no Distrito Federal e nos estados da Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ação envolve seis mandados de busca e apreensão domiciliar e outras seis ordens de busca envolvendo adolescentes. A operação é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), e conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS), com participação das polícias civis das demais unidades da Federação envolvidas.

A nova etapa surgiu a partir da análise de celulares, computadores e outros materiais obtidos na primeira fase. O trabalho permitiu aos investigadores chegar a novos suspeitos de administrar ou moderar comunidades virtuais fechadas utilizadas para chantagear e exercer controle psicológico sobre pessoas consideradas vulneráveis.

A investigação teve início após a morte de Lívia, uma adolescente de 13 anos. Segundo as autoridades, a jovem foi submetida a coerção em grupos virtuais e incentivada a praticar violência contra animais e atos de automutilação O caso também envolveu uma transmissão ao vivo da própria morte da adolescente e deu nome à operação.

As apurações apontam para uma dinâmica definida pelas autoridades como “escravidão digital”. Nela, integrantes dos grupos exerceriam controle sobre as vítimas por meio de ameaças e chantagens, impondo desafios e exigindo atos de automutilação. O conteúdo produzido pelas próprias vítimas também poderia ser utilizado para ampliar a coerção.

A primeira fase da operação já havia resultado na apreensão de adolescentes investigados por participação na rede. Com a análise do material recolhido, os investigadores identificaram novos possíveis envolvidos e avançaram na tentativa de localizar outras vítimas.

Além de recolher equipamentos que possam servir como prova nos processos criminais, as equipes buscam identificar crianças e adolescentes que ainda estejam submetidos às ameaças. Caso sejam encontrados, a previsão é de encaminhamento para as redes de proteção social e de saúde.

O Ministério da Justiça também orienta pais e responsáveis a acompanharem as interações de crianças e adolescentes em fóruns comunidades virtuais e aplicativos de mensagens. Suspeitas de coerção, chantagem ou outros crimes praticados nesses ambientes devem ser comunicadas às delegacias especializadas em crimes cibernéticos.

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