Natasha Dal Molin
As mudanças ocorridas desde o início do ano na Câmara Legislativativeram início ainda no ano passado, mais precisamente no dia 27 denovembro, quando agentes da Polícia Federal realizaram uma ação debusca e apreensão em gabinetes na Câmara Legislativa e na residênciade parlamentares e membros do governo.
Intitulada Caixa de Pandora, nome mitológico para uma sucessão de surpresas que aparecem a cada momento que se tenta abrir mais a caixa, a operação já conta com mais de três meses. Dezessete pessoas foram ouvidas pela Polícia Federal e até agora apenas uma foi presa: o servidor aposentado da Companhia Energética de Brasília (CEB), Antônio Bento da Silva, conselheiro fiscal do Metrô, que foi flagrado quando entregava uma sacola com R$ 200 mil ao jornalista Edson Sombra em uma cafeteria no Sudoeste.
Da Câmara Legislativa, até o momento dez distritais foram citados noinquérito, sendo dois suplentes. São eles: Eurides Brito (PMDB),Leonardo Prudente (sem partido), Aylton Gomes (PR), Rogério Ulysses(sem partido), Benedito Domingos (PP), Rôney Nemer (PMDB), BenícioTavares (PMDB) e Júnior Brunelli (PSC), Pedro do Ovo (PRP) e BerinaldoPontes (PP). Alguns dos deputados acima listados aparecem em vídeos recebendodinheiro não declarado, supostamente para formação de caixa dois. As gravações foram feitas pelo ex-secretáriode Relações Institucionais do governo Durval Barbosa.
Outros foram apenas citados nas conversas. Uma decisão da Justiça proibiu esses parlamentares a compor as comissões que analisarão os possíveis casos de corrupção. Assim que assumiu a presidência da Casa – com a saída de Leonardo Prudente (sem partido) do cargo, que deixou a vaga por causa da pressão, já que ele apareceu em vídeo nas imagensmais marcantes da crise, guardando dinheiro nas meias – Wilson Lima(PR) recorreu da decisão, tentando manter os citados nos trabalhos integrais da Casa.