Uma ofensiva da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) contra fraudes virtuais levou à prisão de suspeitos envolvidos em um esquema conhecido como “golpe do falso advogado”, com atuação em diferentes regiões do país. A Operação Falso Advogado foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (19/03/2026) e contou com apoio da Polícia Civil de São Paulo.
Ao todo, a Justiça autorizou 45 medidas cautelares, sendo 20 mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão, executados na capital paulista e em Praia Grande (SP). Até o momento, 14 pessoas foram presas e 24 endereços passaram por diligências policiais.
As investigações, conduzidas pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), ligada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor), apontam que o grupo acessava indevidamente credenciais de advogados para invadir processos judiciais eletrônicos. Com as informações obtidas, os criminosos se passavam por representantes legais das vítimas e solicitavam pagamentos sob o pretexto de taxas necessárias para a liberação de valores ou conclusão de ações judiciais.
Segundo a polícia, a credibilidade dos dados apresentados convencia as vítimas, que realizavam transferências acreditando estar em contato com seus próprios advogados. A análise de rastros digitais e movimentações financeiras permitiu identificar a estrutura da organização, que operava de forma segmentada e com funções bem definidas.
O esquema incluía integrantes responsáveis pela obtenção de dados e acessos ilegais, operadores encarregados do primeiro contato com as vítimas por aplicativos de mensagens, interlocutores treinados em técnicas de engenharia social para aprofundar o golpe, além de um núcleo financeiro dedicado à movimentação e ocultação dos valores ilícitos. Também foram identificados fornecedores de linhas telefônicas e contas bancárias utilizadas nas fraudes.
A atuação do grupo foi registrada em ao menos 11 unidades da federação, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco, Distrito Federal, Acre, Alagoas, Ceará e Roraima. Como parte da operação, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens, como forma de interromper o fluxo financeiro da organização.
Os investigados devem responder por estelionato qualificado por meio eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem chegar a 26 anos de prisão.
Considerada pela PCDF como a maior ação já realizada no país contra esse tipo de fraude, a operação mobilizou cerca de 70 policiais civis, incluindo equipes do Decor e da Divisão de Operações Especiais (DOE), destacando a cooperação interestadual no enfrentamento a crimes cibernéticos, que não se limitam a fronteiras físicas.