Um passo de cada vez e os desafios como força propulsora. Estas são as diretrizes que norteiam o caminho que a ONG Pró-Vida vem trilhando há oito anos no DF. Situado em Samambaia, o espaço é aberto para todos. A diversidade é uma marca registrada da organização, que assiste desde crianças querendo aprender música a idosos com depressão.
No momento, um novo desafio faz parte da rotina da Pró-Vida: a coleta de lixo tecnológico para financiar suas iniciativas. Intitulado E-descarte Solidário, o projeto surgiu há dois meses.
O projeto
A ideia é recolher todo o material acumulado nos cinco pontos de coleta que a ONG tem: Águas Claras, Asa Sul, Asa Norte, Taguatinga e em Samambaia. Do volume coletado, há uma triagem. “Separamos o material em servíveis e inservíveis”, explicou a diretora Katia Santos.
“Os servíveis são os que ainda podem ser reutilizados, eles são restaurados e são repassados a pessoas que não têm condições”, declarou.
Já os inservíveis são repassados para uma empresa de reciclagem que trabalha com esse tipo de material.
A verba do recolhimento é repassada à ONG somente se a quantidade estiver em toneladas, o que dificulta o andamento do projeto.
O projeto ajuda cerca de 200 famílias de maneiras distintas, segundo a diretora. Na sede do Pró-Vida, são oferecidas aulas de música, artesanato, teatro, xadrez e balé.
“Nós começamos com o propósito de ajudar crianças com doenças degenerativas, mas logo começaram a chegar adultos com problemas de bipolaridade e nós os atendemos”, concluiu Katia.
Muitos papéis em um só
Acumular funções em prol do bem é uma característica dos voluntários. Exemplo disso é o trabalho feito por Alexandre Patrício, de 45 anos. Na ONG Pró-Vida, ele atua como professor de música e motorista e conhece como poucos as dificuldades que a organização enfrenta diariamente.
“Todos os nossos programas têm uma grande aceitação e um número bom de adeptos, mas nosso
carro-chefe são as aulas de música. Não temos instrumentos suficientes para todos, o que nos obriga a fazer um rodízio grande”, contou.
Ao contrário de outras instituições, a Pró-Vida não exclui uma criança de determinada atividade se as notas estiverem baixas na escola. “Se a criança estiver com notas baixas, ela faz uma aula de reforço na matéria que tem mais dificuldade”, disse.
Doações
Sem auxílio do governo, a instituição necessita de doações para continuar funcionando.
Arte, alegria e otimismo para o futuro
Na visita feita pela equipe do Jornal de Brasília à ONG, as crianças apresentaram dois números de dança. Em um deles, a questão ambiental foi o tema central do espetáculo.
Segundo a aluna Heloísa Santos Luna de Góes, 8 anos, o projeto é muito importante. “Venho para fazer aula de flauta e balé, gosto muito daqui. Nem tenho como expressar direito o que sinto”, contou Heloísa.
A mãe da menina, Marina Santos, 45 anos, afirmou que é grata pelo papel prestado pela ONG. “Eu moro no P Sul e lá não tem algo assim. É muito importante estimular as crianças a fazer alguma atividade, para que não fiquem na rua”, relatou.
Novo incentivo
Para o futuro os planos são otimistas. Recentemente, a ONG ganhou uma Kombi e pretende levar o projeto de maneira itinerante a outras regiões do Distrito Federal.
Segundo a diretora da organização, o foco é se preparar para mais esse desafio.
“Com certeza, isso representa mais uma luta pela frente. Um desafio que chegou até nós”, disse.
De acordo com ela, os recursos para a evolução do projeto são escassos. “Temos o transporte, mas não temos condições de bancar a locomoção, por exemplo. Precisamos das doações, diariamente, para nos mantermos”, concluiu Kátia.