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Brasília

Omissão pode ter provocado morte de paciente em Ceilândia

Arquivo Geral

27/07/2014 19h20

Discussão entre médica e militares do Corpo de Bombeiros pode ter contribuído para a morte de uma paciente de 57 anos no Hospital Regional de Ceilândia.
 
Segundo a corporação, a especialista se recusou a receber a paciente que apresentava sinais de infarto. A Secretaria de Saúde ainda não se manifestou sobre o caso. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar se houve omissão de socorro por parte da médica.
 
Em nota, a Divisão de Comunicação da Polícia Civil informou que os bombeiros transportavam a paciente com o quadro de ataque cardíaco para a unidade, quando a médica de plantão questionou os militares se eles não sabiam da falta de médicos no plantão. E orientou que eles levassem a vítima para outro hospital. 
 
Os bombeiros, por sua vez, teriam questionado a especialista perguntando se ela desconhecia a orientação de que a mulher necessitava de atendimento imediato. Mesmo assim, a profissional de saúde teria se recusado a recebê-la. Depois de gritar com os militares, a médica teria ordenado que eles se retirassem da Emergência, informando que a equipe do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) daria continuidade ao atendimento à paciente. Apesar do atendimento, ela não resistiu e morreu. 
 
Precário

A reportagem esteve no hospital ontem e constatou que o atendimento continuava precário. Faltavam médicos na emergência e sobravam reclamações. A paciente Silvana da Costa, 35,  por exemplo, reclama da lentidão para o atendimento. Acompanhando a filha de 13 anos, ela já esperava há mais de quatro horas para ser atendida na ortopedia.
 
“É muita falta de humanidade. Isso aqui não fica bom nunca. Cadê o governo que prometeu melhorar o serviço de saúde?”, lamenta.
 
Apuração pode levar à autoria

Para o procurador de Justiça Diaulas Ribeiro, “o  quadro de parada cardíaca é considerado o mais grave da emergência médica”. Por isso,  precisa ser  apurado para se chegar à autoria da culpa pela morte da paciente. 
 
“É preciso se estabelecer o nexo entre a omissão e a morte. Se o atendimento imediato pudesse   salvar a vítima, pode se configurar negligência ou imprudência dela (da médica) por bater boca com os bombeiros em vez de fazer atendimento”, afirma. “Isso se configurado, pode se aplicar aí um homicídio doloso. Por dolo eventual. É uma imprudência gravíssima”, detalha.
 
 Diaulas ressalta que “não é função do bombeiro saber se tem médico ou não no hospital. E, sim, da Secretaria de Saúde ou do governo”.
 
Outra vez

Em 2012, a mesma médica teria se envolvido em luta corporal com um paciente que reclamou da demora de atendimento.  Em abril, ela teria sido filmada gritando com o acompanhante de uma paciente. “Vai arrumar uma trouxa de roupa para lavar”, disse.
 
 
 

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