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Brasília

Obesidade avança no DF e pode atingir 30% da população até 2030

Projeção baseada no inquérito telefônico do Ministério da Saúde acende alerta na rede pública; seminário da Saúde aponta caminhos e reforça foco em prevenção desde a infância

Daniel Xavier

02/04/2026 21h29

obesidade avança no df e pode atingir 30% da população até 2030 foto jhonatan cantarelleagência saúde df

Foto: Agência Saúde

A obesidade avança de forma consistente no Distrito Federal e já mobiliza autoridades de saúde diante de um cenário considerado preocupante. Mantido o ritmo observado nas últimas décadas, a projeção é de que cerca de 30% da população da capital esteja obesa até 2030. A estimativa, baseada em dados do Vigitel –  inquérito telefônico do Ministério da Saúde que monitora fatores de risco para doenças crônicas nas capitais –, foi debatida durante seminário realizado em 27 de março pela Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), em alusão ao Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março.

Os números mais recentes ajudam a dimensionar a gravidade do problema. Em 2023, 60,3% dos moradores do DF estavam com sobrepeso, enquanto 21,9% já apresentavam obesidade. Mais do que uma condição isolada, o excesso de peso tem impacto direto na saúde pública: o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado está associado a 15% das mortes prematuras e a 55% dos óbitos precoces por diabetes.

Segundo a gerente de Nutrição da SES-DF, Carolina Gama, o cenário segue uma tendência histórica de crescimento contínuo. “Segundo essa pesquisa, que é realizada desde 2006, há um aumento gradativo do número de pessoas com obesidade no Brasil e também no Distrito Federal. Se continuar nesse ritmo, podemos chegar a 30% até 2030”, explicou.

Apesar do avanço, alguns indicadores mostram mudanças de comportamento. Entre 2018 e 2023, houve aumento da prática de atividade física no tempo livre e redução do consumo de ultraprocessados e do tabaco. Por outro lado, ainda persistem fatores de risco importantes, como o consumo abusivo de álcool e a baixa ingestão de frutas e hortaliças.

Para Carolina Gama, a alimentação segue como eixo central no enfrentamento do problema. “Sabemos que a obesidade é uma condição crônica e multifatorial, mas existe uma expectativa de que a nutrição conduza esses processos. Há um foco grande em relação à alimentação quando se fala em obesidade”, destacou.

Infância no centro do debate

Um dos pontos mais discutidos no seminário foi o impacto da obesidade entre crianças e adolescentes. A Secretaria de Saúde pretende atualizar a linha de cuidado existente desde 2015 para incluir esse público de forma mais estruturada. “Nossa linha de cuidado é de 2015, e identificamos a necessidade de atualização, inclusive para incluir crianças e adolescentes. A intenção é iniciar esse processo ainda neste ano”, afirmou Gama.

A preocupação é compartilhada por outros setores da pasta. A assessora de Redes de Atenção à Saúde, Carolina Cesar, chama atenção para os efeitos a longo prazo. “Quanto mais crianças obesas e com sobrepeso, mais adultos doentes. A pandemia mudou completamente o estilo de vida, hoje elas estão mais reclusas, com muito tempo em tela. É um cenário muito mais desafiador”, avaliou.

Desafios na vida real

Se os dados mostram a dimensão do problema, histórias como a do atendente de farmácia Lucas Ribeiro de Jesus, de 23 anos, revelam as dificuldades enfrentadas no dia a dia. Morador do Riacho Fundo I e com 141 kg, ele convive com o sobrepeso desde a infância. “Cresci em um ambiente onde isso era comum. Minha alimentação sempre teve muita fritura, fast food e exageros, principalmente nos fins de semana”, contou.

obesidade avança no df e pode atingir 30% da população até 2030 lucas ribeiro de jesus, de 23 anos foto jhonatan cantarelle agência saúde df
Foto: Reprodução

A tentativa de mudança veio aos 18 anos, quando começou a frequentar a academia. “Cheguei a ter bons resultados, mas com a pandemia tudo se desestabilizou. O isolamento e a ansiedade me fizeram perder o controle”, relembrou.

Hoje, a rotina de trabalho é um dos principais entraves. “É difícil ter horário fixo para comer. A correria impede de me organizar, de preparar marmita. E o emocional pesa muito, ansiedade e tristeza acabam me levando a comer por impulso”, disse.

Mesmo diante das dificuldades, ele mantém o objetivo de mudar. “Já consegui emagrecer antes, então sei que sou capaz. Quero retomar o controle da minha saúde, não só pela estética, mas pela qualidade de vida e pelo meu futuro, pretendo chegar a 81 kg”, afirmou.

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