Um cuidado minucioso com o controle de produção, que envolve filtragem de impurezas e o cobre liberado pelo alambique, coloca o Barão do Cerrado como o segundo melhor rum de todo o mundo. Fabricado em uma destilaria modesta em Planaltina de Goiás (GO), a menos de 70 quilômetros do Distrito Federal, a bebida ganha cada vez mais destaque entre degustadores e apreciadores. Ele é o único produzido no Brasil desde 2005, com um volume anual de oito mil litros.
Durante o processo de fabricação há o monitoramento de todas as operações por instrumentos de precisão, filtragem do produto por pelo menos cinco vezes, além de fermentação e destilação do caldo de cana em dornas de aço e alambique de cobre. Também evita-se corantes e conservantes artificiais. A bebida é mantida em barricas de carvalho por um período de um ano com a adição de caramelo de cana e a graduação alcoólica equivalente a 42% de volume.
O responsável pela especiaria é o gaúcho José Pires Gonçalves, 77 anos, apaixonado pela bebida desde jovem. Em suas palavras, a elaboração do produto não é algo muito fácil e requer conhecimentos técnicos e muita dedicação. “Fazer destilado é um charme, mas é preciso saber fazer seguindo normas de qualidade. Portanto, quando idealizei trabalhar com isso há cinco anos comecei uma intensa pesquisa indo a duas embaixadas, consultando especialistas e lendo sobre o assunto”, recorda.
Receita
Gonçalves compartilha que foi em uma de suas pesquisas que descobriu uma receita secular da Martinica submetendo-a a aperfeiçoamentos técnicos e, assim, chegando ao Barão do Cerrado. Mas ele destaca que só a receita, mantida sob sigilo, não daria a qualidade ao produto. O produtor acrescenta que o uso de equipamentos de última geração e matéria-prima de primeira linha também são os responsáveis pelo resultado final dos destilados.
“Utilizamos os mais acurados meios de manufatura. O nosso canavial leva adubação orgânica, a cana é lavada após o corte, a higiene é rigorosa depois da moagem e todas as garrafas são lavadas com água filtrada”, lista Gonçalves. Ele ainda coloca que a cana-de-açúcar se favorece com as condições climáticas, igualando-se a Salinas (MG) na qualidade de produção. O solo é arenoso, rica salinidade, teor de alumínio adequado e boa exposição a luz do sol. Além disso, as variedades cultivadas na Fazenda Ouro Verde, onde funciona a destilaria, são selecionadas pela Embrapa.
Cachaça
Mas não é apenas com o rum que o empresário se destaca. A cachaça Alma Gêmea também ganha mercados mundo afora. Sua fabricação anual chega a 30 mil litros, com 249 barris guardados em três pavilhões da fazenda. O produto já é comercializado no mercado francês, há pelo menos três anos, e ainda na Noruega, Finlândia e Dinamarca. A bebida também segue o mesmo rigor do Barão do Cerrado na produção.
Tanto a cachaça quanto o rum leva dois anos para ficar prontos. Até chegar ao ponto de degustação eles passam por um longo processo na qual se incluem a colheita, lavagem da cana-de-açúcar, moeção, fermentação, repouso, destilação no alambique, descanso de até três semanas, arejamento, adição de caramelo de cana, armazenamento em barris e, finalmente, engarrafamento.
Reconhecimento
Os produtos da destilaria de Gonçalves são reconhecidos internacionalmente. O rum Barão do Cerrado e a cachaça Alma Gêmea Platina conquistaram a segunda colocação em um dos concursos mais rígidos do mundo, o São Francisco World Spirits Competition, nos Estados Unidos, em março deste ano. O veredito foi dado por 27 juízes de peso de vários países. As bebidas da Fazenda Ouro Verde enfrentaram tradicionais concorrentes de países como Cuba, Jamaica, Martinica, Porto Rico, Trinidad e Tobago, República Dominicana e Venezuela.