Menu
Brasília

O menino que emocionou Brasília deixa uma lição de vida

Arquivo Geral

28/07/2010 8h12

Fabiana Mendes
fabiana.mendes@jornaldebrasilia.com.br

 

 

“Esses cinco anos, dez meses e 21 dias que o Ronaldinho esteve conosco foram maravilhosos”, afirma Vilma Joaquina da Cruz Freire, 36 anos, mãe do menino. Ronaldo Oliveira Freire Filho ficou  conhecido pela sua história de luta pela vida, que chegou ao fim às 22h30  do dia 6 de julho deste ano devido a uma pneumonia.

 

Tudo começou quando Vilma descobriu, no sexto mês de gestação, que o bebê tinha má formação no esôfago. Ela sofreu, mas logo aceitou a ideia de que ele teria tal problema. No dia 15 de agosto de 2004, no Hospital Anchieta, em Taguatinga, nasceu Ronaldinho. Com pouco tempo de vida, os médicos descobriram que o caso dele era mais grave do que o esperado e, a partir de então, toda a família, a equipe médica e, principalmente, a criança iniciaram uma nova fase, de perseverança, amor e muita fé.

 

Esôfago, rim, pâncreas e inúmeras más formações deram a Ronaldinho a expectativa de apenas um a 30 dias de existência. Mas ele, como sempre, contrariou os prognósticos. Aos quatro meses de vida, o pequeno bebê já passava por sua terceira cirurgia. “Foi feita uma abertura no pescoço para melhorar o fluxo da saliva”, contou Vilma. A UTI neonatal humanizada passou a ser sua casa por exatos três anos e sete meses. “Foi lá que ele aprendeu a andar, a amar, a sorrir e superou várias doenças. Foram mais de 20 penumonias”. Vilma conta que foi a fé em Deus que lhe deu forças para aguentar, junto com a família, a situação que Ronaldinho enfrentou. O apoio de Hebert Freire, 11 anos, e Hadassa Freire, 8, os outros dois filhos de Vilma, foi fundamental para fortalecer ainda mais o casal Vilma e Ronaldo Oliveira Freire.

 

Quando recebeu alta e foi para casa, na cidade de Santa Maria, foram dois anos e três meses de pura alegria. Ronaldinho conheceu o Zoológico, a igreja, o shopping, viajou e fez muita gente rir com sua brincadeira predileta, o pique-esconde. “Ensinei ele a esconder a cabecinha atrás do sofá e, quando eu o encontrava, ele soltava aquela risada gostosa”, disse Rosedark Rodriques, técnica de enfermagem que cuidou dele durante o período em que ficou em casa. Ele vivia uma vida normal, com alguns cuidados especiais. “Subia a escada de casa, era muito levado, sabia fazer birra e dengo. Ronaldinho vai deixar muita saudade”, confessou. Muito emocionada, a técnica em enfermagem conta que foi ela quem também mostrou ao menino como segurar o lápis. “Eu que o levava para a escolinha e seu progresso era visível, já segurava o lápis sozinho. Ontem vi sua mochila no canto e meus olhos encheram de lágrimas, mas segurei o choro porque Ronaldinho era uma criança muito alegre e não gostaria de me ver assim”.

 

 

 

Sorriso marcante

“Sou treinado para não me envolver com pacientes, mas ele era extremamente especial. O sorriso marcante vai ficar guardado em minha memória”, afirma, emocionado,  o atendente de Home Care  Jorge Faria. Ele  deu assistência técnica ao oxímetro nos dois anos em que Ronaldinho esteve em casa. 

 

“Essa notícia me pegou de surpresa, falei com a mãe dele um dia antes de seu falecimento”. Jorge não escondeu as lágrimas e finalizou dizendo que Papai do Céu quis assim.  “Agora sei que lá em cima  deve estar tendo uma grande festa”, disse.

 

Vilma se agarrou nas palavras da Bíblia para superar a luta e principalmente a perda. Ela acredita que aprendeu muito com a vinda do filho para o mundo material. “Ele veio para nos ensinar que o amor de Deus é maior do que todas as coisas. É um amor eterno, que sempre vence”. Por ter acompanhado toda sua luta e também para servir de exemplo e homenagem, Vilma decidiu escrever um livro contando a história do filho. “Já tenho 12 páginas escritas, mas tenho muita coisa ainda para registrar”.

 

Ronaldinho marcou a vida de todas as pessoas que o conheceram e também dos que não tiveram essa oportunidade. O pequeno flamenguista, que gostava de mexer no celular, jogar bola e brincar no laptop, ensinou para médicos, enfermeiros e todas as pessoas que o acompanharam que vale a pena viver feliz, independentemente do problema que tiver que enfrentar. “Acho que aprendi muito mais com ele do que o contrário”, disse Rosedark.

 

“Nós te amamos, você sempre foi e será o meu melhor amigo”, ressaltou o irmão de 11 anos, Hebert. Na opinião da irmã Hadassa, Ronaldinho foi um exemplo, um milagre, um fenômeno. “Ele foi um ótimo irmão e nunca esquecerei o dia em que ele pegou a pata do nosso cachorro e não queria soltar. Foi muito engraçado”.

 

Na opinião da mãe, Ronaldinho é um eterno campeão,  que merece ser lembrado com muita alegria. “Ele conseguiu viver intensamente, com muita força. Mudou a vida de muita gente e continuará mudando”, disse  Vilma, que pretende realizar trabalhos sociais e auxiliar pais que tenham filhos com alguma deficiência. “Sempre iremos amá-lo. Restou a saudade e a certeza de que faria tudo de novo”, finalizou.

 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado