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Brasília

O legado de Jarjour para a comunidade sírio-libanesa no DF

Conhecido na cidade pela sua rede de postos de gasolina, Jarjour era reconhecido como uma das figuras mais ativas da comunidade sírio-libanesa no DF

Lucas Neiva

08/12/2020 17h59

O comerciante que testemunhou o surgimento de Brasília e foi pai de cinco filhos, entre eles o ex-secretário de Governo do Distrito Federal Thiago Jarjour, morreu vítima da covid-19.

Abdalla Jajour chegou a Brasília em 1958, em meio à construção da cidade. Atuou em diversos estabelecimentos comerciais até 1972, quando fundou seu primeiro posto de gasolina em Taguatinga, inicialmente sob a bandeira Esso. Em 1999 fundou sua própria empresa do ramo, a American Petro, incorporando o posto e fundando sua segunda unidade na Asa Norte. Seu último empreendimento no setor foi fundado em 2006, com a inauguração do posto Jarjour da 210 sul.

Mais do que comerciante

Além de ter sido uma figura de importância entre os primeiros grandes empreendedores de Brasília, Abdalla foi uma das figuras mais ilustres da comunidade sírio-libanesa do Distrito Federal. “O nome dele significa ‘servo de Deus’ na língua árabe, e ele de fato foi o que seu nome representa”, afirma o protopresbítero Rafael Javier Magul, sacerdote ortodoxo amigo de Abdalla há 12 anos.

Abdalla possuía origem síria, e foi um dos construtores da Igreja Ortodoxa Antioquina São Jorge, localizada na Qi 9 do Lago Sul. Além de frequentar constantemente a paróquia, dedicou parte de sua vida a prestar serviços à comunidade árabe no DF. “Ele ajudou muito a nossa igreja, mas também ajudou toda a sociedade sírio-libanesa, árabe no geral e palestina. Além disso, prestou muito apoio às embaixadas da Síria e do Líbano”, conta Javier Magul.

Presença e generosidade eram, de acordo com o pároco, as principais características de Abdalla. “Se você quer saber quem foi Abdalla Jarjour, ele foi uma pessoa de origem síria mas com um coração internacional. Se quer saber qual carimbo ele deixou na nossa sociedade, esse carimbo são seus filhos: não apenas seus cinco filhos biológicos, mas todos os filhos adotivos que ele apoiou e ajudou, inclusive agora com os refugiados da guerra. Ele foi sempre o primeiro a correr para socorrer e ajudar quem mais precisa. É um nome que se caracteriza pela sua generosidade”, afirma o sacerdote.

Abdalla passava grande parte de seu tempo ajudando nas atividades da igreja que ajudou a fundar, e suas atitudes, de acordo com Javier Magul, são exemplos a serem seguidos. “As pessoas devem aprender e compreender que, nesse momento, a maior virtude que o ser humano pode ter é sentir-se útil e servir ao outro. E Abdalla vivia a vida como um serviço, como seu próprio nome diz”.

“Ele jamais esqueceu as suas raízes. Ele não construiu apenas um patrimônio material. Ele tinha sua vida material, construiu grandes empreendimentos, mas também construiu amigos e irmãos. E esse é um legado que ele deixa para os filhos”, disse o padre quando questionado sobre qual foi a principal marca deixada por Abdalla em Brasília.

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