O Maior São João do Cerrado, realizado no Forrobódromo, em Ceilândia, mudou a vida de muita gente. Entre as festividades, um casamento coletivo tomou parte do espaço ao lado da praça de alimentação. Segundo a assessoria do evento, 100 casais trocaram alianças e agora estão rumo à felicidade eterna.
As noivas tiveram de se virar para evitar que a poeira e a lama do trajeto ao palco manchassem os vestidos escolhidos. No final, porém, deu tudo certo e, com a presença de uma juíza de paz, todos terminaram com sorriso no rosto e mãos dadas. O evento aconteceu das 18h às 20h, com direito a buffet especial para os recém-casados após a cerimônia civil.
Gilmácio, empresário de 24 anos, e Lírys Catarina Guimarães, consultora de vinhos de 29, consumaram, na noite de ontem, uma união iniciada em 2012. Moradores de Taguatinga, eles já ajudaram na organização do evento em edições anteriores, auxiliando a apresentação das quadrilhas, e casar-se no Maior São João do Cerrado era uma vontade antiga.
“Sou uma amante da cultura popular e aqui se tornou um lugar com muito amor envolvido e história para contar”, resumiu Lírys. “Amigos já haviam falado bem do casamento coletivo daqui e, financeiramente, é uma ‘mão na roda’”, completou Gilmácio. O noivo salientou que o terno e o vestido da esposa foram presentes da organização do evento. “Gastamos só com as alianças, que queríamos que fossem um pouquinho grandes”, brincou ele.
Quem espera sempre alcança
Para o porteiro Aparecido José da Silva, de 35 anos, e sua agora esposa, Ingrid Gomes, auxiliar administrativa de 26, a sensação foi mescla de alívio e de felicidade depois de, finalmente, dizerem as palavras de aceitação um ao outro perante a juíza. “Não tínhamos condições de bancar uma festa só para a gente, então conseguimos realizar um sonho”, disse ele.
Namorados há 13 anos e moradores da mesma residência, em Samambaia, há um, eles agora terão tempo para pensar em crescer na vida profissional e, quem sabe, ter filhos. “É uma bênção isso tudo. Agora só queremos que tudo continue bem”, emocionou-se Ingrid, que também não conseguiu esconder a alegria e a emoção diante da presença de diversos parentes que estavam entre as cadeiras de convidados.
Dia de estrelas nordestinas e promessa de selar união no futuro
No início da madrugada de ontem, Alceu Valença tocou para o público do evento e evocou sucesso de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Mais tarde, Lenine e Elba Ramalho também animaram a festa. Para o casal de namorados Vladimir Nunes, motorista de 23 anos, e Marli Silva, gerente de 29, as atrações musicais foram apenas um dos motivos para terem comparecido. “Eu vim mesmo é pelas comidas típicas”, admitiu ele. Eles foram padrinhos de um dos 100 casais.
Perguntados se, em breve, poderiam seguir os mesmos passos dos noivos, eles hesitaram. “Deixa a gente estabilizar as coisas um pouquinho mais para pensarmos nisso”, respondeu Vladimir. Apesar da cautela, o casal admitiu que prefeririam promover uma cerimônia individual. “Aqui é bacana, mas eu gostaria de ter só meus convidados e fazer as coisas do meu jeito”, disse Marli.
Ambos admitiram, porém, que esse tipo de evento tem suas praticidades. “Casamento, às vezes, leva um ano só para organizar. Então, compensa fazer desse jeito. Economicamente também”, concordou Vladimir. Antes de comentarem mais, foram chamados pela juíza como testemunhas para a união civil dos amigos e se retiraram, animados.
Hoje é o último dia de festividades. As bandas Rastapé, que se apresenta às 20h, e Garota Safada, às 00h30, são as principais atrações musicais do dia. A entrada é gratuita e o público também pode aproveitar comidas típicas, barracas com decoração temática, apresentações de circo e palcos de forró.