Carlos Carone
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Correr contra o tempo para colocar os novos uniformes nas ruas do Distrito Federal o mais rápido possível e estreá-los no desfile de 7 de Setembro é o objetivo do Comando-Geral da Polícia Militar. A mudança na identidade visual das fardas é finalizada pela indústria têxtil escolhida para a confecção de um tecido especial. Já as mudanças nas viaturas deverão contar com a ajuda de presos que fazem parte dos programas da Fundação Nacional de Amparo ao Preso (Funap) para reduzir os custos da chamada “plotagem”.
Ontem, o comandante-geral da PM, coronel Suamy Santana, garantiu que os praças não precisarão gastar além do valor pago de auxílio fardamento, para comprar o novo uniforme. “O valor dá para comprar o uniforme. Ele (o policial) não precisará trocar todas as peças. O coturno o policial já tem. A calça irá custar cerca de R$ 120 e a camisa por volta de R$ 40. Vamos ter um aumento porque o tecido é muito superior em durabilidade e conforto. Vamos ter um acréscimo entre 15% e 20% do que atualmente é cobrado pelas peças do uniforme”, disse, destacando que o número de militares que recebe apenas R$ 1.080 de auxílio é muito pequeno.
Nos bastidores da corporação existe insatisfação e parte da tropa comenta que o novo enxoval da PM poderá custar pouco mais de R$ 2 mil, valor que foi rechaçado pelo comandante. “Os policiais vão substituir o uniforme operacional e aos poucos eles vão trocar os demais uniformes. O cinto operacional será entregue pela PM, pois trata-se de um equipamento. Os coletes também são equipamentos e os policiais não terão custo”, destacou.
Santana afirmou que será publicada uma portaria que irá permitir a antecipação do pagamento do auxílio para aqueles militares que ainda não receberam o benefício neste ano. “A camisa será a mesma, apenas a calça que terá a nova cor e tecido. Não existe motivo para criar polêmica sobre os valores envolvendo a compra do uniforme. O projeto de mudança na identidade visual da PM é desenvolvido há três anos. Já houve, inclusive, consulta pública com os policiais”, ressaltou.
Regulamentação
O coronel destacou, ainda, a necessidade de reformular o uniforme que destaca a presença da polícia militar nas ruas do DF. Ele citou exemplos de algumas peças usadas pelos militares que começaram a ser desvirtuadas.
“Percebemos, a cada dia, que precisamos regulamentar o uso do uniforme, porque ocorreu uma falta de controle com certas peças que passaram a ser usadas largamente, seja pela iniciativa privada seja por agentes públicos de outros órgãos, como a calça operacional e o coturno. Isso causa uma grande confusão na hora de o cidadão identificar o policial, principalmente à noite. Existe a necessidade de criar um padrão”, justificou.
Como o Jornal de Brasília adiantou na edição de ontem, com exclusividade, os uniformes operacionais ganharão a cor “azul noite”, usada por polícias como as de Nova York e Miami, nos Estados Unidos, e a da França, por exemplo. A tonalidade é tida como um “padrão internacional”. Toda a reformulação deve custar cerca de R$ 8 milhões.