Ingrid Soares
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O passeio tradicional da família brasiliense ficou mais caro. Começou a valer ontem o novo valor da entrada do Jardim Zoológico de Brasília. Bem mais que o triplo, o valor praticado, que antes era de R$ 2, passou para R$ 10.
Segundo a assessoria do zoológico, o reajuste visa custear despesas de alimentação dos animais e medicamentos, entre outras. O custo para manter o local é de, aproximadamente, R$ 17 milhões por ano. Segundo a fundação, desde 2009, o valor não é alterado.
O fisioterapeuta Renato Lima, 26 anos, estava de passagem por Brasília. Ele veio de Teresina, no Piauí, para curtir as férias e decidiu visitar o local. Mesmo informado sobre a nova medida, ficou insatisfeito: “Temos poucas opções de lazer e ainda aumentam os preços das poucas que há. Isso acaba tirando a oportunidade e o acesso de pessoas carentes”, reclama.
A artista circense Aleide Cerejo, 35 anos, acompanhava o filho de três anos no passeio. Ela conta que pagou R$ 8 em passagem de ônibus e se deparou com o aumento na entrada do zoológico. “O transporte está um absurdo e, ao chegar aqui, a taxa para entrar também subiu. Não tem mais condições de trazê- lo com frequência”, completa.
Para o motorista Gilvan Barbosa, 43 anos, que acompanhava outras duas pessoas, apesar da alta de preço, ainda vale a pena conhecer o local: “O importante é ver essas espécies de perto. Vale a pena, mas tem que oferecer algo diferente e melhorias, senão não rende”.
Pericles Massunaga, veterinário, 62 anos, conta que é a favor do aumento. “Manter o zoo com R$ 2 é um milagre. O Estado não tem condições de arcar com todos os gastos. Mas falta administração, e os recursos deveriam ser melhor aplicados. Pagamos imposto em tudo, mas não temos retorno”, afirma.
Saiba mais
Com o calor intenso registrado a cada dia, a diretoria de nutrição do zoológico prepara os alimentos preferidos dos bichos (carne, sangue e frutas) em forma de picolés para eles ficarem mais à vontade e mais refrescados durante o período.
Um dos diretores do lugar, Vinicius Eduardo Sodré conta que, além de suprir as necessidades dos animais, o picolé serve para desestressá-los.
Animais maiores, como os elefantes, por exemplo, recebem esguichos de água de um caminhão-pipa.