Ao que tudo indica, a era dos aplicativos “diferentes”, para diversão de alguns e desespero de outros, está só começando. Depois do Lulu, criado para avaliar características físicas, psicológicas e sexuais dos homens, e da ameaça de implementação do Tubby, que faria análise semelhante sobre as mulheres, surge o Hate with Friends. Criado nos Estados Unidos, o aplicativo permite marcar quais amigos do Facebook você odeia. E caso a pessoa te acrescente à “lista” dela também, você é imediatamente notificado.
Inspirado em um outro aplicativo americano, o antigo Bang with Friends, que agora se chama Down – em que o usuário assinala com quais amigos teria relações sexuais – o Hate with Friends se conecta ao Facebook e mostra ao usuário sua lista completa de contatos. Ele, então, pode assinalar quais deles odeia. Caso a inimizade seja confirmada pelas duas partes, manter a pessoa na rede social fica por conta de cada usuário. Para isso, existem as opções Go Unfriend, onde é possível acessar o perfil e desfazer a amizade, ou Send a Gift, para tentar uma aproximação com o “inimigo”.
Categorias
Há três abas principais para a navegação: Everyone (todos os seus amigos), Who I Hate (quem eu odeio) e Who Hates Me Too (quem me odeia também). De acordo com a marcação feita pelo usuário, as pessoas ficam separadas dentro de suas respectivas categorias.
Até o momento não há versões para Android ou iOS7. Só é possível baixar o programa pela página oficial dele: www.hatewithfriends.
com. Segundo os desenvolvedores, o sistema só coleta dados marcados como públicos no perfil dos internautas no Facebook, como lista de amigos e o endereço de e-mail cadastrado no site.
Intriga
A estudante Nayara Paiva, 18 anos, disse que jamais teria um aplicativo como esse. “Acho que vai causar muita intriga. Já rola muita fofoca e confusão nas redes sociais sem isso, imagina com uma ferramenta que aponta quem você odeia”, comenta.
Para o músico Felipe Eleotério, 19 anos, é “muita falta do que fazer inventar um aplicativo desse. Tem pessoas que eu não gosto no meu Face, mas para que tornar isso público?”, indaga.
Para a estudante Emily Rodrigues, 19 anos, é uma falta de respeito construir um aplicativo que exponha as pessoas dessa forma. “Acho que podiam inventar uma coisa mais útil, informativa, ou até para entreter mesmo”, completa.
Entenda os aplicativos
Hate With Friends:
Down: Ele surgiu como Bang With Friends, aplicativo que anonimamente conectava pessoas através do Facebook, interessadas em relações sexuais. O aplicativo sumiu em maio e retornou com o novo nome em agosto. Ele voltou com alterações na interface para tentar desassociar o programa da apologia ao sexo. Mas a intenção continuou a mesma.
Tinder: Permite interação entre os usuários apenas quando o interesse é mútuo. Um dos principais diferenciais do aplicativo é evitar ser ignorado já que o usuário terá a oportunidade de conversar somente com pessoas que também gostaram e escolheram o seu perfil, por meio do chat da própria ferramenta.
Lulu: O mais polêmico. Por causa das discussões, ganhou duas mudanças exclusivas para o Brasil: somente homens que optarem por participar do Lulu serão avaliados; além disso, o Lulu permitirá até o Natal que os homens tenham acesso à sua nota na brincadeira.
Incentivo a novos casais
Enquanto aplicativos como o Hate with Friends não têm agradado tanto, outros que prometem conectar pessoas que se gostam fazem sucesso, a exemplo do Tinder, em que os usuários conversam por meio de salas de bate-papo e é possível saber a que distância geográfica eles estão. Uma das vantagens é que ele não viola a privacidade de quem o utiliza, a não ser que a pessoa permita.
Lançado em outubro do ano passado nos Estados Unidos, o aplicativo ganhou versão em português em agosto deste ano. Nos últimos dois meses, cerca de dois milhões de brasileiros entraram para a rede.
LULU e TUBBY
Já o Lulu continua gerando polêmica no Brasil. Recentemente, a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor instaurou um inquérito civil público contra o aplicativo e o Facebook. Apesar de a Justiça ter indeferido o pedido de antecipação de tutela para suspender o compartilhamento de dados entre a Luluvise e a rede social, a empresa responsável pelo aplicativo procurou o Ministério Público do DF para pedir o adiamento, por 30 dias, das informações a serem prestadas. O próximo passo do MP é protocolar agravo de instrumento contra o Facebook e a Luluvise.
Outro aplicativo, o Tubby também gerou polêmica antes de chegar, oficialmente, ao Brasil. Porém, quando finalmente foi lançado, no último dia 6, uma surpresa: tudo não passava de uma brincadeira.