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Novembro azul: prevenção precoce sem tabus

Conscientização sobre o câncer de próstata ainda esbarra em preconceitos, mas é essencial

Por Pedro Marra 06/11/2020 5h23

Após o Outubro Rosa como mês de conscientização sobre o câncer de mama, novembro vem para destacar a campanha de combate às doenças masculinas, principalmente o câncer de próstata — o Novembro Azul. No Brasil, segundo publicação do Instituto Nacional de Câncer (Inca), do Ministério da Saúde, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do de pele. De acordo com o Instituto, para cada ano do triênio 2020-2022, A estimativa é que sejam diagnosticados 625 mil casos novos de câncer na próstata.

Depois do câncer de pele não melanoma (177 mil casos novos), os mais incidentes são os de mama e de próstata (66 mil cada), cólon e reto (41 mil), pulmão (30 mil) e estômago (21 mil). Separados por sexo, os tipos mais frequentes nos homens, excluindo-se pele não melanoma, são próstata (29,2%), cólon e reto (9,1%), pulmão (7,9%), estômago (5,9%) e cavidade oral (5,0%).

Em junho de 2018, o servidor público aposentado, Wagner Sampaio Palhares, de 78 anos, descobriu que tinha câncer de próstata, muito embora ainda em 2009, Wagner fora alertado sobre o tamanho aumentado de sua próstata, durante uma consulta. “Fiz uma consulta com o médico do meu filho em Goiânia e constataram que a minha próstata estava um pouco aumentada, mas em níveis toleráveis. Era para eu me tratar anualmente, mas não fiz isso”, confessa.

Depois do diagnóstico, ele decidiu fazer a braquiterapia, que consiste na implantação de pequenas sementes radioativas para eliminar as células cancerígenas. Agora, em fase final do tratamento, ele está curado do câncer de próstata e se sente melhor para fazer as atividades do dia a dia. “Felizmente estou me sentindo bem atualmente, e faço exames regulares. A minha testosterona, por sinal, está tendo uma reposição. O meu PSA (exame usado para rastreamento do câncer de próstata em homens assintomáticos) está zerado. Por recomendação de um amigo que também teve câncer de próstata, fiz esse tratamento, que é menos invasivo”, relata.

Wagner conta que, entre os sintomas, ele levantava da cama com frequência durante a noite para urinar e sentia que não esgotava a bexiga. “Fui ao hospital, fiz uma bateria de exames e constataram que a próstata estava aumentada. O meu tumor abarcava cerca de 60% da próstata”, relata.

“Todo homem ao chegar nos 45 anos tem que procurar um médico, é muito simples. Hoje está tudo modernizado, e a tecnologia está avançada. São exames que detectaram em detalhes o estado da próstata. Recomendo que todos os homens nessa faixa etária façam o exame”, aconselha Wagner.

Agora curado, o aposentado reconhece a relevância de procurar um médico para tratar a doença. “Ela está relacionada com a masculinidade e a sexualidade do homem. É muito importante para que se investigue isso para prolongar a vida. Essa visita ao médico é super tranquila. As pessoas fazem uma restrição muito grande ao toque retal. A próstata é uma glândula que fica bem próxima do reto, e o médico vai fazer o exame para ver se tem uma anormalidade, e pelo toque ele percebe. Mudei bastante o meu pensamento sobre o tratamento”, conclui.

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“Temos que levar informação”

Segundo o médico urologista do Hospital Urológico de Brasília, Mário Chammas, o caso de Wagner expõe a preocupação dos médicos com os diagnósticos tardios, sem uma avaliação precoce.

“O homem ainda tem preconceito para realização do exame de próstata. Isso, aliado a uma dificuldade de acesso à saúde pública, acaba piorando a situação de pacientes com renda menor por terem mais dificuldade de manter um acompanhamento regular de pelo menos uma vez por um ano. Mas o preconceito tem diminuído um pouco com as campanhas do Novembro Azul. De qualquer forma, temos que levar informação ao maior número de homens para eles fazerem uma consulta preventiva”, orienta.

Sem sintomas

O urologista destaca que o grande problema do câncer de próstata é que, na maioria das vezes, não há sintomas. “Às vezes, há casos de câncer avançado e nenhum sintoma aparente. Por isso que toda essa campanha de conscientização é importante porque leva o homem a pensar de maneira preventiva sem sentir nada. A gente tem que mudar essa paradigma”, afirma o médico.

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De acordo com o médico e diretor técnico do Hospital Urológico de Brasília, Geovani de Assis Pinheiro, o diagnóstico precoce, realizado com o exame do toque retal e com a dosagem do PSA no sangue, é essencial para a cura. “A maioria dos cânceres de próstata cresce lentamente e não causa sintomas no início, mas tumores em estágio mais avançado podem causar dificuldades para urinar, sensação de não conseguir esvaziar completamente a bexiga, presença de sangue na urina e, em alguns casos, dor óssea na região das costas”, esclarece.

Mesmo na ausência de sintomas, homens a partir dos 45 anos com fatores de risco, ou 50 anos sem estes fatores, devem ir a um especialista para fazer as análises. “Cerca de 20% dos pacientes com câncer de próstata são diagnosticados somente pela alteração no toque retal”, ressalta Pinheiro.

A ressonância magnética multiparamétrica da próstata contribui na avaliação prostática, aumentando a detecção de tumores, principalmente dos tumores mais agressivos. “Com a ressonância magnética, produzimos imagens anatômicas e funcionais, desta forma conseguimos encontrar e localizar as lesões da próstata e, com isso, viabilizar a biópsia dirigida da área suspeita, ampliando assim as chances de um resultado positivo. Este exame também é muito eficaz no diagnóstico de recidiva neoplásica, ou seja, pacientes já tratados e que evoluem com aumento dos valores de PSA”, explica Philipe Cavalcanti, médico da Perfecta Diagnóstico por Imagem.

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