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Brasília

Nova gestão da CBIC assume com foco em moradia, qualificação e desenvolvimento

Eduardo Aroeira Almeida assume presidência da entidade para o triênio 2026–2029 e aponta habitação, segurança, inovação e redução da burocracia entre os desafios do setor

Isabele Mendes

20/08/2026 5h34

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Foto: Divulgação

Com mais de 47 mil trabalhadores empregados e R$ 10,2 bilhões movimentados somente no Distrito Federal, a indústria da construção chega ao segundo semestre de 2026 diante do desafio de manter a geração de empregos enquanto avança em questões que vão da oferta de moradia à qualificação profissional. Foi com esse cenário ao fundo que a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) deu início, na noite desta quarta-feira (19), em Brasília, a uma nova gestão. Eduardo Aroeira Almeida assumiu a presidência da entidade para o período de 2026 a 2029.

A cerimônia de posse do novo Conselho de Administração reuniu representantes do setor produtivo, lideranças da construção de diferentes regiões do país e autoridades do governo federal. A mudança de comando abre um novo ciclo para uma entidade que atua diretamente no diálogo entre empresas e poder público, justamente em um momento em que temas como financiamento habitacional, produtividade, industrialização e sustentabilidade ganham espaço nas discussões sobre o futuro das cidades.

Em seu discurso de posse, Aroeira procurou afastar a construção de uma leitura restrita aos números da economia. Ao falar dos mais de 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor em todo o país, associou a abertura de postos de trabalho ao impacto direto na renda das famílias. Segundo ele, somente no primeiro semestre deste ano, foram criadas cerca de 169 mil vagas.

A habitação apareceu como um dos principais eixos da nova gestão. Para o presidente, a casa própria permanece como um instrumento de inclusão social por representar não apenas um patrimônio, mas também estabilidade para as famílias. A agenda defendida pela CBIC passa pelo fortalecimento das fontes de financiamento do mercado imobiliário e pelo avanço das mudanças recentes no Sistema Financeiro da Habitação (SFH).

“É o primeiro patrimônio da família. É o endereço fixo que ajuda a conseguir o emprego. É o filho estudando perto de casa”, afirmou Aroeira durante a cerimônia. A fala sintetizou a tentativa da nova direção de relacionar o desempenho da construção a problemas que ultrapassam os canteiros de obras e chegam ao cotidiano da população.

Outro ponto destacado foi a segurança dos trabalhadores. Aroeira afirmou que saúde e segurança não devem ser tratadas como custo, mas como investimento. A intenção, segundo o novo presidente, é manter a atuação da entidade na prevenção de acidentes e avançar na proteção de quem trabalha nos canteiros, associando melhores condições de trabalho também à capacidade do setor de atrair e reter profissionais.

Formação para um setor em transformação

A falta de mão de obra qualificada e a transformação tecnológica também entraram no centro da agenda apresentada pela nova diretoria. Na avaliação de Aroeira, a construção tende a se tornar cada vez mais industrializada, digital e sustentável, o que exigirá mudanças na formação de engenheiros, técnicos e trabalhadores.

Entre os caminhos citados estão uma maior aproximação com o Sistema S e a ampliação da capacitação profissional. A incorporação de ferramentas digitais, como o BIM, metodologia que permite integrar informações de projetos e obras, também foi apontada como parte dessa transformação. “Ou preparamos nossa gente para o futuro, ou perderemos a janela de oportunidade trazida pela inovação”, declarou.

A nova administração ainda pretende acompanhar a regulamentação e a implementação da reforma tributária e participar das discussões relacionadas à jornada de trabalho. No primeiro caso, a entidade vê a necessidade de construir um ambiente mais transparente para o setor produtivo e, ao mesmo tempo, criar condições para ampliar a industrialização da construção.

Há, porém, obstáculos antigos no caminho. A burocracia foi apontada pelo novo presidente como um dos entraves à expansão do setor. Na avaliação apresentada durante a posse, atrasos na emissão de alvarás e licenças não afetam somente as empresas: podem postergar o início de empreendimentos, a geração de empregos e a entrega de moradias.

“Cada mês que um projeto espera pelo alvará ou por uma licença separa uma família da casa própria e um trabalhador do emprego formal e da renda”, afirmou Aroeira. Ele também criticou mudanças de regras durante a execução dos investimentos, argumentando que a falta de previsibilidade reduz a competitividade e pode afastar novos projetos.

Construção movimenta R$ 10,2 bilhões no DF

No Distrito Federal, os números ajudam a dimensionar o peso da atividade. Dados da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC) de 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 1,4 mil empresas com cinco ou mais pessoas ocupadas estavam em atividade naquele ano. Juntas, empregavam 47,7 mil trabalhadores e desembolsaram R$ 1,7 bilhão em salários, retiradas e outras remunerações.

O valor das incorporações, obras e serviços chegou a R$ 10,2 bilhões, o equivalente a 24,1% da produção da construção no Centro-Oeste. O DF ficou atrás apenas de Goiás, responsável por 37,6% do total regional.

A construção de edifícios respondeu por 54,7% do valor movimentado pelo setor no DF e também concentrou a maior parcela dos empregos, com 46,6% dos trabalhadores. Os serviços especializados para construção representaram 23% do valor gerado e 37% da mão de obra, enquanto as obras de infraestrutura ficaram com 22,3% da produção e 16,4% dos trabalhadores. A média registrada foi de 33,3 pessoas ocupadas por empresa.

Os dados colocam em perspectiva parte das discussões apresentadas na posse. Se, por um lado, a construção mantém participação relevante na economia e no emprego, por outro, a nova gestão assume com a tarefa de enfrentar gargalos que podem determinar o ritmo do setor nos próximos anos, da formação de trabalhadores à burocracia, passando pelo financiamento habitacional e pela incorporação de novas tecnologias.

Aroeira sucede Renato de Sousa Correia, que esteve à frente da CBIC entre 2023 e 2026. Na despedida, o ex-presidente definiu a responsabilidade como o princípio que orientou sua passagem pela entidade e ressaltou o compromisso de preservar o legado construído pelas administrações anteriores, sem perder de vista os desafios que serão enfrentados por quem assume o comando.

Além de Eduardo Aroeira Almeida na presidência, o Conselho de Administração para o triênio 2026–2029 reúne uma estrutura formada por mais de 50 integrantes entre vice-presidentes, representantes regionais, responsáveis por áreas temáticas, suplentes e membros do Conselho Fiscal. Marcos Mauro Pena de Araújo Moreira Filho assume a vice-presidência administrativa, enquanto Alfredo Guttenberg de Mendonça Brêda fica à frente da vice-presidência financeira.

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