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Brasília

No primeiro dia de mudança, passageiros sentiram no bolso a diferença

Arquivo Geral

21/09/2015 7h48

Apesar de o aumento das tarifas de transporte ter sido anunciado na última terça-feira, junto ao pacote de medidas para equilibrar as contas do Distrito Federal, muita gente ainda foi pega de surpresa ontem, quando começou a vigorar o novo valor. As passagens de R$ 3 subiram para R$ 4, as de R$ 2 foram para R$ 3, as de R$ 2,50 aumentaram para R$ 3 e as de R$ 1,50 agora custam R$ 2,25. O metrô também passou  de R$ 3 para R$ 4.

O montador de áudio Héctor Barros, de 26 anos, não sabia da mudança. Ele mora em Ceilândia e precisou ir até o Plano Piloto. “Quando fui pagar a passagem e vi que o troco veio menor, reclamei com o cobrador. Aí, um amigo meu   me contou que a passagem subiu. Eu fiquei meio em choque, porque o valor já era muito alto e agora ficou exorbitante”, relata. Na opinião dele, o governo poderia ter adotado outras medidas em vez de subir os valores das tarifas.

Caso semelhante foi o de Rafaela Barbosa,   23 anos, dona de casa. Ela saiu de Ceilândia com a filha pequena para visitar   familiares em Sobradinho e conta que sua sorte foi estar com o cartão de vale transporte do marido. 

“Eu vim com o dinheiro contado, saí com R$ 12 para ir e voltar. Pensei que o aumento só   valeria a partir de segunda. Mas, dentro do ônibus, me avisaram. Então, eu usei o cartão do meu esposo. Se eu não tivesse colocado na bolsa, não   teria dinheiro pra voltar”, relata. Antes, os R$ 12 de Rafaela eram suficientes para pagar quatro passagens. Agora, são  necessários R$ 16.

Valor antigo no cartão

Quem também usa cartão ainda   paga   o valor antigo. A regra vale   até  20 de outubro para créditos adquiridos antes do reajuste. No metrô, a validade é de 90 dias a contar de ontem. A decisão estará publicada na edição de hoje do Diário Oficial do DF.

As tarifas de ônibus são as mesmas desde 2006.  As despesas do governo com subsídio às empresas são de  R$ 40 milhões por mês. Mesmo assim, a linha alimentadora da integração do Expresso Sul, que circula no Gama e em Santa Maria, cai de R$ 3 para R$ 2,25.

Despesa multiplicada

Quanto maior a família, maior o peso no bolso. A doméstica Gracilene da Silva, 36 anos,   saiu de onde mora, em Ceilândia, para levar as duas filhas a um clube no Setor de Clubes Norte. E o passeio ficou mais caro. A passagem das três totalizou R$ 42  somando ida e volta.

“Com a passagem tão cara, fica complicado sair de casa para fazer qualquer passeio. O jeito vai ser assistir um filme em casa mesmo ou sair para lugares mais próximos, porque, no fim das contas, ninguém consegue tirar tanto dinheiro do orçamento só para pagar passagem”, afirma. 

A dona de casa Cleonice da Silva,   59 anos, moradora do Paranoá, achou um absurdo o aumento das tarifas. Semanalmente, ela busca o neto em Ceilândia para passar o fim de semana.   João Vitor  tem 7 anos e já paga passagem. “Eu acompanhei os noticiários e vi que ia subir o preço, mas acho injusto com a população, pois o valor que pagávamos já era muito alto. Agora, ficou muito caro”, reclama. 

Cleonice acredita que, por conta do aumento das passagens, todo mundo deve sair prevenido, com dinheiro a mais. “É bom o cidadão ter a atenção de andar sempre com um dinheirinho sobrando na carteira, porque duas passagens agora são R$ 8. No meu caso, que ando com o meu neto, nunca gasto só com a passagem, ainda tem uma água, um lanche. Não dá mais para sair com menos de R$ 20 dentro da bolsa”, observa.

Para quem precisa pegar mais de um ônibus, a situação fica ainda mais difícil.  É o caso da técnica de enfermagem Beth Souza, 42 anos, que teme precisar tirar dinheiro do próprio bolso para complementar  a passagem até o início do mês, quando receber pagamento. “Achei um absurdo esse aumento. Como a mudança foi bem no meio do mês, acho difícil a empresa completar o valor do   transporte. Vou ter que tirar do meu bolso a diferença, pois ainda faltam duas semanas para eu receber”, conta.

Manifestação

Na última sexta-feira, estudantes e ativistas do DF fizeram um protesto contra o aumento das tarifas. A manifestação acabou em confusão e houve confronto com a Polícia Militar, que chegou a usar spray de pimenta e gás lacrimogêneo. O protesto começou às 18h e terminou por volta das 21h. O tumulto começou quando os manifestantes anunciaram que iriam pular a catraca de acesso ao metrô.  Dois policiais militares ficaram feridos. Um estudante foi apreendido com coquetel molotov.

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