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Brasília

No primeiro dia de aumento do preço, menos pessoas foram aos restaurantes comunitários

Arquivo Geral

02/10/2015 6h00

Alexandre Santos

Especial para o Jornal de Brasília

Depois do aumento do transporte, os brasilienses passaram a arcar, ontem, com mais uma conta indigesta: refeição mais cara nos restaurantes comunitários do DF, que subiu de R$ 1 para R$ 3. E o aumento se refletiu na diminuição de frequentadores. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social (Sedhs), houve queda entre 30% a 40% no número de frequentadores em relação ao público atendido na última quarta-feira nas 13 unidades.

Sob reclamações de “aumento abusivo” e gritos de “fora, Rollemberg”, o reajuste desagradou frequentadores que tinham nas unidades uma opção de comida mais barata. 

“Se a coisa não estava boa, ficou ruim de vez. A gente vai ter que se virar para comer”, lamentou o ajudante de pedreiro Luiz Inocêncio da Silva, 21 anos, após comprar quatro quentinhas no restaurante da Estrutural.

Para Inocêncio, diante do valor mais pesado, a alternativa será comer em um local que ofereça pratos mais caprichados. “Prefiro comprar menos quentinhas, contanto que venha  mais comida. Conheço alguns lugares que são assim.”

Chefe de dez trabalhadores da construção civil, o empresário José Neto Pereira, 61 anos, terá impacto maior para bancar o almoço mensal dos funcionários. “Enquanto o governador come caviar com o dinheiro dos nossos impostos, a comida é tirada da boca do pobre.”

Funcionários e secretaria confirmam

Sob anonimato, funcionários do restaurante comunitário da Estrutural afirmaram ao JBr. que o movimento na tarde de ontem foi expressivamente menor do que o habitual. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social (Sedhs), nessa unidade, são servidas, em média, 2 mil refeições diárias. No dia anterior ao reajuste, foram 1.687 refeições. E ontem, 963. Para hoje, quando o prato é a tradicional feijoada, a expectativa é de 1.500 usuários, diz a Sedhs.

Sobre as queixas quanto à qualidade dos alimentos oferecidos, a Sedhs respondeu que as refeições seguem rigoroso padrão de qualidade, que todos os restaurantes têm nutricionistas e recebem regularmente inspeção da Divisão de Vigilância Sanitária.  Informou também que os canais de atendimento ao cidadão, como o 156, não receberam qualquer notificação.

Anunciado pelo GDF como uma das medidas para estancar a crise nos cofres públicos, o reajuste da refeição nos restaurantes comunitários estava congelado desde 2001, quando o serviço foi inaugurado. Em sua justificativa para o aumento, o governo disse que a conta para bancar cada prato estava saindo muito cara para o Estado.

A partir de dezembro, uma novo restaurante comunitário deve ser inaugurado no Sol Nascente. De acordo com a Sedhs, será a única das 14 unidades a oferecer três refeições ao dia: café, almoço e jantar.

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