Em 1968, Jane Fonda corria seminua pelo espaço no papel de Barbarella, uma astronauta sexy, que lutava pela paz na galáxia muito antes de Luke Skywalker descobrir que Darth Vader era seu pai (Ops!). O erotismo na tela grande, portanto, não é novidade, mas tanto o público quanto o mercado de produtos sexuais estão alvoroçados com a iminência do lançamento de 50 Tons de Cinza nos cinemas mundiais. E pudera.
Pelo menos no Brasil, o mercado é fortificado por produtos midiáticos que explorem o tema de maneira abrangente. Um grande marco foi o filme De Pernas Pro Ar, de 2010, estrelado por Ingrid Guimarães. “Houve um ‘boom’ de consultoras individuais vendendo produtos de porta em porta e até muitos curiosos querendo saber como era um sex shop por dentro”, diz Paula Aguiar, presidente da Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme).
Segundo ela, isso culminou em mais de 11 mil pontos de venda no Brasil. No Distrito Federal, a estimativa é de que haja 14 sex shops e outros 30 estabelecimentos que comercializam produtos como roupas íntimas e géis. “Brasília é um lugar importante para o mercado. Foi aí que nasceu o bingo erótico, hoje muito comum nos chás de lingerie”, exalta Paula.
A ideia veio da consultora em produtos eróticos e dona do próprio sex shop, Priscila Pires, de 34 anos. “Vi um bingo infantil e pensei em fazer um com produtos da minha loja, formando a palavra ‘sexy’”, explica. Ela apresentou a inovação em uma feira erótica de São Paulo, em 2013, e conta que teve ótima recepção. “Recebi mais de cem e-mails no dia seguinte.”
Para Priscila, inovações e a especialização de quem comercializa os produtos são fundamentais para que o mercado cresça com qualidade. “Crescer sendo explícito ou abusivo não é interessante. A pessoa vai à loja, compra e, não necessariamente, tem uma boa orientação, o que é ruim. As pessoas merecem profissionais que fazem bom trabalho de divulgação”, defende.
Carona no sucesso de filme nacional
“Prefiro visitar meus clientes, pois acho que o ambiente do sex shop os afasta. Eles não criam tanta empatia com a clientela”, acredita Priscila Pires, dona de um estabelecimento do ramo. Ela foi uma das que pegaram carona no sucesso do filme De Pernas Para o Ar e garante ter se especializado bastante para aprimorar-se no negócio. Foi a Amsterdam (Holanda) visitar o famoso Bairro da Luz Vermelha e acompanha constantemente as novidades do mercado.
“Tenho de acompanhar o raciocínio dos clientes. Mesmo não gostando de uma leitura, por exemplo, preciso saber o que há de interessante que posso adquirir para revender”, afirma.
Assim, apesar de admitir que o livro 50 Tons gerou demanda por produtos antes pouco procurados, como chicotes e algemas, ela não gostou da obra. “Percebi que as meninas que gostaram tinham a vida sexual menos apimentada, digamos assim. Toda Sua, da Sylvia Day, fez mais sucesso entre minhas clientes”, garante.
Preferência feminina
As mulheres, por sinal, são seu público-alvo, e a própria análise do mercado erótico e sensual explica isso. Em estudo de perfil de usuários de lojas virtuais, a Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico e Sensual calculou que mais de 60% das clientes eram mulheres. Na comercialização de produtos por meio de catálogo, a discrepância entre gêneros revela-se ainda maior. A associação estima que 90% de compradores são do sexo feminino.
Xô, marasmo
“A mulher tem facilidade para, quando em presença de outras mulheres, falar sobre sexo”, explica Paula Aguiar. “Com certeza a mulher é muito mais preocupada com o relacionamento que o homem. Assim, ela procura instrumentos e acessórios para tirar o relacionamento do marasmo, é mais curiosa”, completa.
Assim, Aline Rabelo, da Glamour do Desejo, conquista a mulherada com palestras didáticas sobre sexo e sensualidade e orienta tanto sobre compra como sobre uso de artefatos eróticos.
Evangélicas são a maioria das clientes