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Brasília

No Hospital de Base, futebol ajuda a adaptar tratamento de paciente que não sabe ler

Iniciativa usa símbolos e cores para garantir autonomia e adesão aos medicamentos de paciente com esquizofrenia e epilepsia

Redação Jornal de Brasília

27/11/2025 16h28

Foto: Divulgação/IgesDF

Foto: Divulgação/IgesDF

No Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF), a continuidade do tratamento após a alta hospitalar ganhou uma solução criativa e humanizada: uma caixa personalizada com instruções visuais para ajudar pacientes que não sabem ler a usar corretamente seus medicamentos.

A iniciativa surgiu no caso de Rafael (nome fictício), de 25 anos, diagnosticado com esquizofrenia de difícil controle, deficiência intelectual e, recentemente, epilepsia. Após seis meses de internação, ele recebeu alta, etapa em que o uso contínuo e preciso dos remédios é essencial para evitar regressões. A dificuldade aumentava porque Rafael e o pai, com quem mora, são iletrados.

Diante do desafio, a farmacêutica clínica da psiquiatria do HBDF, Joyce Kelly Oliveira Affonso, desenvolveu um sistema visual simples e acessível, adaptado ao universo do paciente. Cada medicação foi associada a um time de futebol, sendo o Flamengo vinculado ao remédio principal, a clozapina. A caixa organiza os medicamentos entre uso diurno e noturno, com divisórias, símbolos e cores que permitem ao paciente identificar sozinho o que deve tomar e em qual horário.

O projeto contou com a participação da assistente administrativa da chefia de enfermagem, Alessandra de Oliveira, e incluiu orientação ao pai de Rafael, que acompanhará o uso das medicações em casa. Após a alta, o jovem continuará o acompanhamento mensal no ambulatório, com a equipe atualizando periodicamente os medicamentos da caixa, fornecidos pela farmácia de alto custo. Um relatório detalhado será enviado à unidade básica de saúde (UBS) de referência, garantindo suporte contínuo à família.

Segundo Joyce Kelly, o objetivo é assegurar que o tratamento não se perca na transição entre o hospital e a casa. “Não adianta cuidarmos dele aqui se ele não consegue continuar os cuidados onde mais precisa”, afirma a farmacêutica.

Com informações do IgesDF

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