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Brasília

No DF mais de 53 mil universitários já trancaram o curso por não conseguir pagar mensalidades

Desemprego aparece como principal razão para o endividamento com as instituições de ensino superior; Maioria tenta equilibrar estudos com trabalhos em empresas privadas

Daniel Xavier

29/07/2025 21h34

no df mais de 53 mil universitários já trancaram o curso por não conseguir pagar mensalidades créditos arquivo agência brasil

Foto: Arquivo/Agência Brasil


Um total de 53.628 estudantes do Distrito Federal enfrentam dificuldades financeiras relacionadas ao pagamento de instituições de ensino. É o que mostra uma pesquisa realizada pela Serasa em parceria com a Mindminers, entre os dias 12 de junho e 1º de julho, com base em uma amostra de 410 pessoas em todo o Brasil. 

O perfil do público endividado no DF revela um retrato claro da juventude em situação de vulnerabilidade econômica. A renda mensal dos estudantes mostra um forte indício de fragilidade social: quase metade (45,36%) vive com menos de R$ 2.403,04 por mês, e outros 30,79% recebem entre R$ 2.403,04 e R$ 3.980,37. Apenas 1,99% têm renda superior a R$ 26 mil mensais, e somente 3,97% estão na faixa entre R$ 7 mil e R$ 12 mil.

A maior parte dessas pessoas (60,93%) é solteira, enquanto 24,5% são casadas. Outros 7,62% estão divorciados, 1,32% são viúvos e 5,63% se identificaram em outras condições civis. Em relação ao grau de escolaridade, a pesquisa mostra que a maioria dos estudantes inadimplentes ainda não concluiu o ensino superior: 43,38% têm curso superior incompleto e 29,14% finalizaram apenas o ensino médio. Apenas 18,54% concluíram a graduação, e 6,95% possuem alguma pós-graduação, seja mestrado ou doutorado. Um pequeno grupo, 1,99%, não chegou a concluir o ensino médio ou o ensino básico.

A situação ocupacional dos endividados revela a busca por estabilidade. O grupo mais numeroso é composto por empregados da iniciativa privada (33,77%), seguido por funcionários públicos (14,24%) e autônomos ou freelancers (13,58%). O número de desempregados também chama atenção, representando 14,57% dos entrevistados. Além disso, 2,32% se dedicam apenas aos estudos, enquanto 4,97% são donas ou donos de casa e 2,65% dependem financeiramente da família. Outros segmentos incluem profissionais liberais (2,98%), aposentados (1,99%) e empresários (1,32%). Casos diversos, classificados como “outros”, somam 7,62%.

E o cenário nacional?

No Brasil, 35% dos universitários possuem alguma dívida em aberto com a faculdade, como mostra pesquisa realizada. Para 22% dos entrevistados, o desemprego é o principal motivo para o endividamento, seguido de problemas pessoais ou familiares (13%) e redução de renda (9%).

De acordo com a pesquisa, 62,3% dos estudantes também revelem ter outras dívidas, além do débito com a instituição de ensino – 55% apontam pendências com cartões de crédito, 36% com contas básicas e 32% com empréstimo pessoal. 

Além das consequências financeiras, o endividamento também afeta o lado emocional dos estudantes. Segundo a pesquisa, 48% relatam ansiedade intensa, insônia ou estresse, e 45% afirmam ter adiado planos importantes de vida por causa das dívidas. Apenas 6% não sentiram nenhum impacto emocional. “O peso das dívidas vai muito além do financeiro, afetando o bem-estar e o desempenho dos alunos”, avalia Thiago Ramos, especialista da Serasa em educação financeira.

Apesar disso, a confiança em resolver a situação é significativa. 64% acreditam que conseguirão negociar as dívidas nos próximos dois anos, e 90% consideram importante quitar os débitos com a universidade. “A renegociação surge como uma chance real de recomeçar, especialmente para quem quer retomar os estudos e seguir construindo o próprio futuro neste novo semestre”, afirma Thiago.

Sufoco na graduação

Eduardo Guimarães, 26 anos, é um dos estudantes endividados. Há três anos, ele cursava Administração na Universidade Paulista (UNIP) com apoio do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). Ao descobrir que seria pai da pequena Helena, Eduardo acreditou que não conseguiria concluir a graduação, já que seu salário era insuficiente. “Recebia R$ 1.500 quando fazia faculdade, pagava aluguel, tinha despesas em casa e ainda arcava com os custos do curso. Com a chegada da minha filha, não consegui mais continuar. Passei por muitos problemas emocionais, tive que desistir e hoje estou endividado”, relata. O jovem conta ao Jornal de Brasília que ainda não está seguro financeiramente, mas que pretende limpar seu nome.

No DF, há mais de 190 mil ofertas de negociação ativas em 59 instituições de ensino, com o objetivo de facilitar a regularização das dívidas estudantis. Para conferir as ofertas e condições disponíveis na plataforma Serasa Limpa Nome, estudantes e demais consumidores com dívidas no setor educacional podem consultar os canais oficiais da empresa e negociar de forma online pelo site: http://www.serasalimpanome.com.br ou pelo aplicativo do Serasa no Google Play e App Store.

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