Lucas Lavoyer
lucas.lavoyer@jornaldebrasilia.com.br
Antes propositalmente ignoradas sobre calçadas do Distrito Federal, nove moradoras de rua mudaram esta situação, pelo menos durante a noite de ontem.
Vestidas a rigor e impulsionadas pela sutileza que marcam o caminhar de uma modelo, percorreram a passarela imaginária do anfiteatro do Centro Cultural do Taguaparque e receberam aplausos e toda atenção do público presente. O resgate social das inusitadas misses ocorreu a partir do projeto “Miss na Rua”, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda do DF (Sedest).
Após arrancarem manifestações calorosas de um público que preencheu quase todo o anfiteatro durante os desfiles, todas as nove misses foram contempladas com faixas, coroas e buquês de flores. Para estas mulheres, a travessia da passarela de alguns metros pareceu significar o caminhar a uma segunda chance na vida.
“Eu morava embaixo de uma árvore e tomava banho na rua. Agora consegui até pagar um aluguel, estou gastando o dinheiro que ganho vigiando carro melhor. Agora tenho um futuro, quero estudar e fazer curso. Isso aqui é nossa vingança pessoal, mostramos que também existimos”, comentou a miss Mônica Carvalho, 38 anos.
Todas as nove participantes foram selecionadas por educadores sociais da Sedest, em Ceilândia e Taguatinga. Desde abril deste ano, as misses encontraram-se semanalmente no Centro de Referência da Assistência Social de Ceilândia, para participarem de oficinas e debates. Segundo o secretário da Sedest, Daniel Seidel, o evento mostrou uma saída à exclusão social. “Essas mulheres e homens têm rostos, histórias e sonhos e merecem receber acolhimento e solidariedade”, disse.