Levantar às seis da manhã e ir direto à pista de corrida. Comer de forma regrada e cumprir à risca todas as recomendações para manter o bom condicionamento físico. Curtir a família e ainda reservar um tempinho para os amigos. Há 14 anos tem sido essa a rotina diária de Lucélia Oliveira Peres. Mineira, natural de Paracatu, ingressou no atletismo aos 12 anos. Desde então, o esporte está envolvido em quase tudo o que faz.
Filha de Aparecida Oliveira Peres e João de Melo Peres, Lucélia teve uma infância tranqüila. Veio para Brasília em 1983 e se instalou no Paranoá, onde mora até hoje. Tímida e estudiosa, teve o talento esportivo revelado em uma competição quando cursava a quinta série do Ensino Fundamental. Aos 15 anos, a adolescente se sustentava com o próprio dinheiro e ainda ajudava em casa, complementando a renda do pai, motorista de ônibus, e da mãe, costureira. Nessa época, firmou parceria com o técnico Edilberto Barros.
Ao contrário da maioria dos atletas, Lucélia não encontrou tanta dificuldade para conseguir apoio no início da carreira. Por apresentar resultados em curto prazo, logo despertou o interesse de patrocinadores e a admiração do público.
Depois de abandonar o curso de Educação Física por motivos financeiros, Lucélia teve a oportunidade de continuar os estudos. Com o apoio de um dos patrocinadores, ela recebeu bolsa para cursar Administração. Enfrentou dificuldades para acompanhar a turma, pois freqüentemente precisava faltar para competir. Mesmo assim, concluiu o ensino superior e planeja a pós-graduação em marketing esportivo.
Por falar em objetivo, no topo da lista de prioridades está o Pan, seguido da Olimpíada de Pequim. Carmem de Oliveira e Joaquim Cruz são seus grandes inspiradores. Mas seus rivais também não deixam de ser admirados. Ednalva Laureano da Silva, a Pretinha, é sua principal concorrente. Mesmo assim, Lucélia a considera amiga. Explica que a rivalidade é somente nas pistas e costumam, inclusive, dividir o mesmo quarto durante as competições. Não há com o que se preocupar. Afinal, o segredo da disputa é a resistência. E, nesse aspecto, Lucélia se garante.
A altitude de Brasília é apontada por ela como um diferencial em seu treinamento. Confiante em bons resultados no Pan, em 23 de julho ela disputará os 10.000m. Quatro dias depois, é a vez dos 5.000m. A fase que vive atualmente é considerada a melhor de sua trajetória, em todos os sentidos. A corredora aponta como seu maior defeito o fato de exigir muito de si mesma e de todos à sua volta, mas lembra que a persistência, sua principal qualidade, é o que pode lhe trazer reais chances de medalha.
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