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Brasília

Na luta pelo ouro nacional

Arquivo Geral

13/07/2007 0h00


Todo o esforço de organização em torno dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro será colocado em xeque se a expectativa criada junto à torcida acabar frustrada. Na última vez em que disputou o torneio, em Santo Domingo, na República Dominicana, há quatro anos, o Brasil conseguiu a melhor participação de sua história, com 123 medalhas (29 de ouro) e ficou em quarto lugar, atrás de Estados Unidos, Cuba e Canadá. Nada mais natural que, em casa, com o apoio dos torcedores e o ufanismo servindo de combustível, a delegação tupiniquim supere a marca.

O problema é saber se os atletas do País estão preparados para lidar com a responsabilidade. O Brasil entra como favorito absoluto em oito esportes coletivos: basquete feminino, handebol feminino, futebol feminino, futsal e vôlei de quadra e de praia masculino e feminino. Além disso, muitos ouros são esperados do atletismo, natação, ginástica artística, patinação, vela, judô, karatê e taekwondo. Mas transformar o favoritismo em vitória de verdade é outra história.

Em Santo Domingo, a medalha de ouro da seleção masculina de vôlei, comandada pelo téncico Bernardinho, estava tão garantida que a impressão da torcida, e da imprensa, era de que a equipe entraria em quadra apenas para posar para as fotos. Mas o imbatível time, que havia conquistado a Liga Mundial poucos dias antes, perdeu para a zebra Venezuela na semifinal e teve de se contentar com uma fosca medalha de bronze.

Mas nem histórias amargas como essa são capazes de desfazer o clima de otimismo em torno do Pan do Rio. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, declarou que o objetivo é ficar em terceiro, atrás apenas dos Estados Unidos e de Cuba. Para o chefe de missão da delegação brasileira, Marcos Vinícius Freire, as chances são ótimas. “Nunca vi o Brasil tão bem preparado. Estamos contando com atletas de ponta e tenho certeza de que vamos fazer história”, afirma Marcos, que foi chefe de missão nos dois últimos Jogos e também nas Olimpíadas de Sidney- 2000 e Atenas-2004.

A esperança aumenta quando se olha para as outras edições do Pan. Na única vez em que sediou os Jogos, em 1963, o Brasil conquistou a melhor classificação da história: ficou em segundo lugar, atrás apenas dos Estados Unidos. No Pan de São Paulo, há 44 anos, o País levou 14 medalhas de ouro, marca só superada 28 anos depois, nos Jogos de Havana-1991, em Cuba, quando o número de modalidades na competição já era muito maior.

As chances de medalha são maiores também porque um dos privilégios do país-sede é poder participar de todas as modalidades, sem precisar superar os índices técnicos exigidos. A delegação brasileira terá quase 700 atletas, bem mais do que os 467 de Santo Domingo. Para a torcida, a garantia é de mais festa: apoio em todas as modalidades e muito mais gente para incentivar.

Vale tudo pela festa verde-amarela

Bimba acaba de ganhar o título mundial da classe RS:X da vela, Robert Scheidt levou a medalha de ouro olímpica em Atenas-2004 e Atlanta-1996 na Laser, Larissa e Juliana são campeãs do Circuito Mundial de Vôlei de Praia e lideram o ranking internacional da modalidade, Marta é a melhor jogadora de futebol do mundo. A lista não é tão grande – inclui também os meninos do vôlei de quadra, a turma da ginástica artística e um punhado de outros –, mas mostra que a delegação brasileira dos Jogos Pan-Americanos conta com alguns dos melhores atletas do mundo em suas modalidades.

Muitas vezes esnobado por competidores estrangeiros, principalmente os norte-americanos, que não vêem muito sentido em enfrentar atletas das Américas quando o que eles querem é o mundo, o Pan é sempre uma grande festa para os brasileiros. Mesmo os que conquistaram o planeta fazem questão de participar e valorizar as medalhas ganhas.

Para uns, é questão de honra. Depois de deixar escapar o ouro no último Pan, Bernardinho e seus comandados colocaram o título no Rio de Janeiro como prioridade para 2007. Para outros, virou uma doce rotina. Robert Scheidt, por exemplo, vai brigar pelo tetracampeonato da competição.

O melhor é que, desta vez, as conquistas dos brasileiros serão comemoradas junto com a torcida. Motivação maior para participar do evento que, no fim, promete ser uma grande festa verde-amarela.





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