Eric Zambon
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O sorrisão do pequeno Vinícius Gabriel, de cinco anos, se destacava em meio à pintura facial de Homem-Aranha. A encenação da Paixão de Cristo promovida na manhã de ontem na Catedral Rainha da Paz, no Setor Militar Urbano, foi a primeira a que o menino assistiu na vida. Além do espetáculo, as brincadeiras e atividades oferecidas o agradaram.
O evento do Pastoreio Jovem Militar, um grupo da Arquidiocese Militar de Brasília, reuniu, pelo quarto ano consecutivo, crianças como Vinícius Gabriel, morador da Estrutural, e adultos como sua mãe, Bruna Rejane da Silva, 24 anos, catadora no lixão da cidade. “É também a primeira vez que eu venho e é muito bom”, considerou a mulher.
O público estimado foi de 1,5 mil pessoas, entre moradores de rua, catadores como Bruna Rejane e famílias assistidas por um projeto social conhecido como Casa da Sopa. “Oferecemos corte de cabelo, brincadeiras, música. O intuito é promover integração entre quem vem e fazê-los se sentir acolhidos”, explica a assessora Emanuelly Fernandes.
Vinícius Gabriel sorriu bastante junto à mãe e se mostrou animado para continuar as brincadeiras. “Eu gostei da pintura (de rosto) e do pula-pula”, resumiu. Bruna Rejane garantiu que vai voltar no próximo ano e destacou a importância desse tipo de evento filantrópico para quem não tem tantas condições financeiras e de deslocamento.
A encenação em formato de musical contou com a participação de quase cem pessoas, entre atores e staff, e tem outras duas apresentações previstas no fim de semana.
O Paixão de Cristo – O Musical, tem a direção-geral de Sarah Bertina, maquiagem de Nati Maia e o tenor Hugo Passos no papel de protagonista. Em 2015 mais de duas mil pessoas prestigiaram a obra e a expectativa é continuar promovendo integração e atraindo público nos próximos anos.
Pais e filhos reunidos em evento
A atração ganhou alcance além do público-alvo e também levou pessoas de outras cidades a participar. A dona de casa Maria Eduarda Damasceno, de 25 anos, moradora de Vicente Pires, administrava a agitação de João Lucas, de sete anos, e de Brayan Vinícius, de um ano, para tentar prestar atenção no espetáculo.
“Toda Páscoa eu ia visitar minha família na Paraíba, mas nessa não deu, então é a primeira vez que venho a um evento assim em Brasília”, contou Maria Eduarda, que se mudou para cá há nove anos. “Meu filho faz catequese aqui na catedral, fiquei sabendo do musical e resolvi aparecer”, esclareceu.
Diversidade
Ela classificou o evento como “ótimo”, especialmente pela diversidade de atrações oferecidas, e disse que mais encenações deveriam acontecer pela cidade, para instigar as pessoas a seguirem a fé católica. “Com o mundo do jeito que está, acho ainda mais importante as pessoas assistirem e receberem a mensagem”, opinou.
Saiba mais
A Paixão de Cristo já foi recontada e encenada em diversas mídias e em épocas diferentes. Uma das representações mais famosas é o musical de rock Jesus Cristo Superstar, criado por Andrew Lloyd Webber e Tim Rice no início dos anos 1970. O obra moderniza o mito sobre a última semana de Jesus e, além de atualizar o vocabulário, faz analogias com situações políticas. Curiosamente, o personagem principal é Judas.
Outra reinterpretação famosa é a do ator e diretor norte-americano Mel Gibson, que em 2004 filmou uma versão bem sangrenta intitulada A Paixão de Cristo, com Jim Caviezel no papel de Jesus e Monica Belucci como Maria Madalena.
A adaptação da história bíblica teve os atores dialogando em aramaico e latim e roteiro baseado nos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João.
