“Perdi meu pai, minha mãe, meu marido e até um filho. É a minha fé que me segura em pé”, relata a aposentada Verônica Menezes, de 52 anos, que, visivelmente emocionada, acompanhou a Santa Missa em homenagem ao Dia de Nossa Senhora Aparecida, na Esplanada dos Ministérios. Assim como Verônica, milhares de fiéis participaram de uma grande procissão no local após o culto católico, que terminou por volta das 19h30. A expectativa da organização do evento era que 80 mil pessoas passassem pelo centro da capital ontem, mas a Polícia Militar não confirmou o número.
Carregando terços, imagens e velas, o público acompanhou com atenção o sermão do arcebispo dom Sérgio da Rocha, que teve como principal mensagem a renovação da esperança diante das dificuldades da vida. Entre tantos religiosos, a pedagoga Maria das Graças Vieira se destacou por sua devoção. Segundo Maria, todos os dias ela vai à missa agradecer todas as bênçãos recebidas.
“Há seis anos passei 23 dias na UTI de um hospital com pancreatite, mas me recuperei e fui liberada com saúde. A fé é muito presente na minha vida e na minha casa, que parece uma igreja, com tantas imagens que tenho”, confessa a pedagoga, elogiando a organização do encontro.
Isso porque, de acordo com ela, os eventos na Esplanada dos Ministérios facilitam a presença de pessoas de todos os cantos do DF e também de todas as classes e idades. “Esse é o momento mais esperado pelos fiéis e todos têm direito de participar dessa oração”, completa.
Entre as autoridades presentes no evento, a celebração recebeu o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.
Fiéis em busca de palavras de conforto
Um confessionário também foi montado nos gramados das Esplanada e atraiu muitos fiéis durante a missa principal. Na fila, homens, mulheres, jovens e idosos esperavam ansiosos para desabafar e poder ouvir uma palavra de conforto, como aconteceu com a educadora física Glaucia Ferreira, de 30 anos.
“A fé é a minha fortaleza, vou à missa toda a semana. Normalmente não costumo me confessar com frequência, mas hoje me senti tocada para desabafar e ouvi tudo o que precisava para me confortar. Sem religião não existe vida feliz”, completa.
Para o militar Ricardo Costa, de 39 anos, agradecer é tão importante quanto pedir. “Todo ano estamos aqui para agradecer e renovar a fé da nossa família. Até já deixamos de viajar para não perder a oportunidade. Mesmo o mundo estando repleto de notícias absurdas, temos que orar pelos milagres e por todas as graças que recebemos. Tem muita gente que não percebe as pequenas maravilhas que preenchem a nossa rotina”, acrescenta Ricardo, que foi ao evento com a esposa, a dona de casa Georgina Costa, 39, e os dois filhos, Sávio e João Paulo.
Ele ressaltou a importância de passar para os filhos o exercício da fé todos os dias e não apenas nos momentos de dificuldade.