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Brasília

Mulher com sangramento vaginal espera por atendimento durante 7 horas no HRT

Arquivo Geral

02/04/2019 12h31

Foto: Raphael Ribeiro/Cedoc

Tácio Lorran
redacao@jbr.com

Uma mulher com dores abdominais e sangramento na vagina ficou sete horas esperando por atendimento no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), nessa segunda-feira (1º). Segundo uma fonte do Jornal de Brasília que preferiu não ser identificada, a paciente estava gemendo no chão do hospital, enquanto o acompanhante dela gritava por ajuda. Ela estava com pulseira amarela (urgente).

“Ele (o acompanhante) gritava: ‘isso aqui é uma carnificina! Eu fui falar com o chefe e eles (os seguranças) me seguraram. Cadê o governador? Quem é que pode nos salvar?'”, contou a fonte sigilosa, que disse que a mulher aparentava ter 50 anos e estava com o vestido molhado de sangue.

Em outro caso, também registrado nessa segunda-feira, um homem, identificado apenas pelas iniciais J.N.I.D., chegou vomitando, trazido de ambulância em uma maca. Ele deveria ser atendido assim que chegasse no hospital – pelo estado de emergência – mas esperava há cerca de quatro horas. Em um terceiro caso, uma mulher com suspeita de apendicite estava com uma pulseira laranja (muito urgente) e esperava por cinco horas.

Segundo a fonte do JBr., os pacientes estavam esperando até mesmo para serem classificados e receberem as pulseiras de triagem. “[A demora acontecia em] qualquer clínica que você chegasse”, relata. “As pessoas estavam demorando muito para serem classificadas, sendo que o protocolo exige no máximo uma hora para o atendimento”. Ela conta que, em média, os pacientes esperavam por sete horas.

Conforme a classificação de risco dos hospitais, os pacientes são atendidos em cinco níveis de urgência. Quem está com pulseira vermelha (emergência) necessita de atendimento imediato; já para as pessoas com pulseira laranja (muito urgente), o tempo estimado é de 10 minutos para receberem o atendimento. As pessoas de pulseira amarela (urgente), verde (pouco urgente) e azul (não urgente), no entanto, sequer eram atendidas à noite, segundo informou a pessoa que não quis se identificar.

Foto: Arquivo pessoal

Uma foto tirada de um computador da clínica médica do HRT mostra o tempo exato de pacientes que foram atendidos na segunda-feira. Nas informações, um homem de 60 anos esperou por 11 horas e 56 minutos. Ele estava classificado com pulseira amarela e deveria receber atendimento dentro de 50 minutos. Uma mulher de 50 anos esperou durante 10 horas e 46 minutos para ser atendida.

Foto: Arquivo pessoal

Procurada pelo Jornal de Brasília, a Secretaria de Saúde diz que os pacientes classificados com as cores vermelha e laranja têm prioridade. “Os demais, sem gravidade, são orientados a procurar as Unidades Básicas de Saúde. Os que preferem continuar na emergência esperam mais tempo por atendimento”, informa.

Pediatria superlotada

Para as crianças, o drama não foi diferente. Com capacidade para 19 pacientes, 25 crianças estavam internadas na pediatria do HRT na noite dessa segunda-feira, segundo a fonte. Ela disse que, nesses casos, as crianças ficam em cadeiras ou macas do hospital, sem equipamentos necessários, como o tubo de oxigênio.

Durante a noite, o hospital anunciou no auto-falante que algumas salas estavam com atendimento esgotado, incluindo a clínica médica e a pediatria. Segundo a fonte do JBr., cerca de 15 crianças ainda esperavam por atendimento quando os responsáveis foram informados da situação.

Versão oficial

Em nota, a Superintendência da Região de Saúde Sudoeste informou que dois clínicos e dois pediatras estavam de plantão na emergência do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) na noite dessa segunda-feira. Devido à superlotação, o atendimento na clínica médica ficou restrito aos casos graves (classificação laranja e vermelha).

Segundo a pasta, 110 pacientes estão internados no pronto-socorro, incluindo 21 crianças. A superintendência ressalta que a restrição no atendimento a pacientes recebidos na emergência ocorre sempre que a capacidade instalada é atingida. Na noite passada foram registrados 176 atendimentos no HRT.

Por fim, a secretaria explica que os atendimentos pediátricos aumentam até 30% em toda rede pública nesta época do ano. Isso acontece devido à sazonalidade das doenças respiratórias que afetam as crianças. “Com a alta demanda, nos pronto socorros pediátricos a prioridade é o atendimento dos casos mais graves, classificados nas cores vermelho e laranja, de acordo com a classificação de risco. Todos os pacientes são acolhidos e orientados”, finalizou a nota.

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