João Paulo Mariano
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“O que me mata, além da doença, é a incerteza. É triste demais”. O lamento é de Daniela Melo de Oliveira, 41, que enfrenta o câncer pela segunda vez e lida com a dificuldade não conseguir o tratamento de quimioterapia na rede pública de saúde. A reclamação ocorre próximo ao Dia Mundial de Combate ao Câncer, que será neste domingo (4). De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), apenas em 2016, 8.550 pessoas foram acometidas com essa doença no DF.
O primeiro tumor que Daniela descobriu foi em agosto de 2012. Ela fazia regularmente o autoexame da mama e, em um deles, percebeu que havia um caroço no seio esquerdo. Ao procurar o médico, recebeu o diagnóstico e começou o tratamento: meses de quimioterapia, radioterapia e a retirada da mama, a mastectomia, já em 2013. Tudo feito no antigo Hospital de Base. Apenas a reconstituição da mama foi feita em hospital particular.
Porém, depois de procurar um ortopedista, no início de dezembro do ano passado, devido a uma dor no ombro direito, a mulher descobriu que havia um problema mais sério. Ao voltar no oncologista, fez o exame PET/CT. O resultado não foi animador: “Estou com seis tumores. Tem na escápula, no quadril, no fêmur e na coluna”, afirma.
Além de lidar com o câncer, ela enfrenta a espera de ser chamada para a quimioterapia, já que não tem condições de fazê-la fora da rede pública. A radioterapia foi iniciada em 24 de janeiro em uma unidade de saúde particular, pois ela não poderia mais esperar. Para a oncologista Gabrielle Scatollin, a demora no tratamento, em especial se a doença for metastática (se espalhando por vários órgãos), pode levar à morte.
Por meio de nota, a Secretaria de Saúde informou que a paciente passou por consulta e que terá de passar por biópsia para o início da quimioterapia. Daniela espera que o procedimento seja feito hoje.