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Brasília

Muita competência para mentir

Arquivo Geral

13/07/2016 7h00

Não se pode negar uma das muitas competências do deputado Rogério Rosso: ele consegue mentir repetidamente, há anos, e ainda há quem acredite nas suas mentiras. O governador Rodrigo Rollemberg, por exemplo, acredita de verdade que Rosso não está planejando sua candidatura a governador. Como acreditava que a distrital Celina Leão seria fiel a seu governo por toda a gestão.
Há até quem tenha acreditado na última lorota inventada por Rosso: a de que esperava a volta de sua mulher, Karina, que estava no exterior, para tomar a decisão de se candidatar a presidente da Câmara. Como se não existissem o telefone e o WhatsApp.
Mas nem precisava disso. A candidatura já estava combinada pelo casal há mais de uma semana.

Quem é Eduardo Cunha mesmo?
Enquanto Rosso negava que seria candidato, já preparava o vídeo e o santinho de sua campanha. Na verdade, esperava que houvesse uma interferência do Palácio do Planalto para reduzir o número de candidatos e ele sair como nome de consenso do bloco governista.
Quando viu que isso não aconteceria, anunciou a candidatura. E inventou a desculpa de que aguardava o retorno da mulher para ter seu aval.
Seu esforço agora é para mostrar que nunca foi amigo e defensor de Eduardo Cunha.
Haverá quem acredite.

Bons companheiros
No ano passado, Rosso editou um vídeo em que ele toca guitarra e Eduardo Cunha toca bateria. Ainda acrescentou Sérgio Reis cantando.
O vídeo ainda está no youtube.

A invasão oficial pode acabar
Brasília poderá ter um ganho com a eleição de Rosso para a presidência da Câmara. Como é aliado de Rollemberg e certamente defende os interesses da cidade, Rosso poderá devolver a área invadida, na orla do Lago, pela residência oficial do presidente da Câmara.
Eduardo Cunha e Renan Calheiros, que também tem mordomia oficial na beira do Lago, não aceitaram retroceder as cercas e alegaram questões de segurança. Com medo de enfrentar Cunha e Renan, o governo de Brasília aceitou manter o privilégio e até hoje negocia a questão com a Advocacia Geral da União.
Se eleito, Rosso, certamente, não manterá uma área pública nos domínios da mordomia.

Dinheiro público privatizado
O governo de Brasília vai pagar R$ 200 milhões a 2.100 servidores públicos que se aposentam este ano. Dá, em média, R$ 95.238 para cada um. Quer dizer, vai pagar se tiver dinheiro para isso.
É a tal da “pecúnia”, valor em dinheiro pago para compensar licenças remuneradas de três meses a que os servidores do governo local têm direito a cada cinco anos de trabalho. Já é rotina os servidores não gozarem as licenças para receber em dinheiro ao se aposentarem.
Um privilégio que trabalhadores do setor privado e servidores da União e da maioria dos estados não têm. E que custa muito caro aos moradores de Brasília – é dinheiro que poderia estar sendo aplicando em benefício da população.

Paralisado pelo medo
Há, no governo, quem defenda a extinção da licença-prêmio ou, como alternativa, o fim dos pagamentos em dinheiro. Se a licença existe, é para ser gozada, não para ser transformada em reais.
Mas falta coragem para enfrentar a questão. Medo da reação dos sindicatos de servidores e carência de quem ouse enfrentá-los com argumentos.
Enquanto isso, o governo ainda deve cerca de R$ 1,1 bilhão a fornecedores que levaram calote da administração anterior.

Um dia a casa cai
Como é usual, há os que dizem, a propósito da coluna de ontem, que não há como acabar com a “mídia política”, considerada essencial para que o governo tenha apoio parlamentar e em veículos de comunicação. Nenhum governo pode prescindir disso, dizem.
São os mesmos que, apesar de tudo o que vem acontecendo, ainda apostam nos velhos métodos políticos. Acham que é inevitável o fisiologismo, a troca de favores, o toma lá dá cá. Não veem outra maneira de governar que não seja loteando a administração pública entre políticos.
Tudo isso tem como acabar, sim, inclusive a troca de publicidade oficial por apoio político. Basta que os governantes não aceitem as pressões e denunciem publicamente os políticos e outros que exigem a liberação de publicidade fora dos parâmetros corretos.
Questão, apenas, de vontade e atitude.

Dinheiro jogado no lago
Consta que na última edição do Na Praia, empreendimento privado que se realiza às margens do Paranoá, seus promotores faturaram R$ 15 milhões. Não importa o valor: é um evento privado, com ingressos pagos, e não há nenhuma justificativa para receber patrocínio de R$ 240 mil do Banco de Brasília.
Quer dizer, justificativa real. Falar em retorno publicitário é para enganar trouxas.

Aliás…
O Ministério Público vai fiscalizar o cumprimento de normas ambientais e urbanísticas pelos organizadores do evento. No ano passado ocorreram diversos problemas, como acúmulo de lixo, poluição sonora e congestionamentos de trânsito.

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