O Movimento de Resistência Popular (MRP) pretende interditar novamente o Eixo Monumental esta semana se não receber propostas de moradia. Ocupantes há seis meses do abandonado Torre Palace, no Setor Hoteleiro Norte, o grupo reclama da falta de vontade do governo em resolver a questão e critica quem os culpa pelos problemas da região.
“Já existia tráfico de drogas muito antes de chegarmos. Esse prédio estava cheio de usuários (de drogas) e ninguém falava nada”, esbraveja um dos líderes do MRP, Edson Silva, de 36 anos. Segundo ele, as cerca de 200 famílias ligadas ao movimento ocupam do terceiro andar para cima, enquanto os usuários de drogas e moradores de rua estão no primeiro e segundo andares.
“Não é colônia de férias”
A respeito do protesto da última sexta-feira, em que criaram um rastro de fogo para bloquear o trânsito no eixo, Silva defendeu como “a única maneira de prestarem atenção em nós”. “Se a gente bater na porta do governador, ninguém nos atende”, acusa. “Ninguém está aqui porque gosta. Não é uma colônia de férias. Já mostramos que existem terrenos em Brazlândia, Riacho Fundo e Ceilândia em que poderiam nos assentar, mas até agora nada”, prossegue.
Outros líderes, como José, conhecido como “Véio”, apontam a falta de políticas habitacionais como parte do problema e criticam o combate à dengue. Seriam pelo menos 12 casos entre os membros do movimento e vários focos do mosquito Aedes aegypti. Esses pontos teriam sido ignorados pelos agentes de saúde em visita ao local e providências teriam sido tomadas pelos próprios ocupantes.
No último dia 22, a juíza Maria Silda Nunes de Almeida, da 8ª Vara de Fazenda Pública, acatou uma ação da Procuradoria-Geral do DF contra os donos do Torre Palace a respeito da desocupação do local. Foram dados 20 dias para que os empresários tirassem os ocupantes e limpassem a área.
Com o prazo em andamento e a uma semana de acabar, nenhuma movimentação aconteceu no prédio. Os líderes do MRP prometem resistir em caso de tentativa de desocupação e garantem não ter vontade de ir para outro lugar provisório, como aconteceu em setembro último, após invadirem o hotel St. Peter e serem deslocados para o antigo Clube Primavera, em Taguatinga.
O JBr. procurou a Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social, mas as ligações não foram atendidas.