E foi na comemoração dos seus 55 anos que Brasília se reinventou. O movimento atípico nas ruas da capital denunciava que alguma coisa acontecia. Não eram só carros passando. Eram os nativos aproveitando o dia. Parece, enfim, que o brasiliense conheceu sua cidade. Ele foi aos parques, ao zoológico, estendeu cangas na grama e se deitou nelas: olhou para o céu. Um vislumbre de 24 horas. Os pés no chão, os filhos correndo, os amigos reunidos. Tudo isso sem cifras milionárias ou mega-shows. A economia nos cofres públicos apresentou aos moradores do quadrado um admirável mundo novo.
Este ano, o GDF gastou R$ 620 mil na festa de aniversário da cidade. Valor que representa apenas 5% dos R$ 12,6 milhões de 2014. Não fossem os zeros a menos, talvez, Brasília não tivesse uma comemoração tão bonita. A redução nos gastos, pelo contrário, só mostrou que aqui, na cidade-parque de Lucio Costa, há espaço para todos. Foram 57 eventos distribuídos em 27 locais. Um deles, no Parque da Cidade Sarah Kubitschek, o PicniK. Lá, reinou a diversidade. Moda, música, arte, gastronomia: tudo gratuito.
“Muito melhor”
“Esse tipo de evento é muito melhor do que aqueles shows na Esplanada. As pessoas aproveitam mais o dia. Ninguém fica aglomerado. Não tem o risco de ter uma briga do lado porque as pessoas buscam sossego e não agitação. “É uma forma mais simples de aproveitar o aniversário de Brasília, mas muito mais agradável”, afirmou o casal Jorge Rodrigues, de 30 anos, e Daiane Vieira, de 23. Os dois foram aproveitar o final da tarde no PicniK com a filha Álice, de um aninho.
Saiba mais
O PicniK acontece em Brasília desde 2012, mas é realizado também em outras cidades, como São Paulo e Goiânia. . Mais do que um simples encontro à sombra de uma árvore, o evento foi criado para valorizar o que é produzido na capital. Por isso, são artistas locais que comandam a festa.
Comemoração surpreende e agrada
Em vez de reclamações pelo engarrafamento no Parque da Cidade, o clima era de paz. “Foram uns 20 minutos parados aqui dentro, um trânsito considerável. Mas, valeu a pena. Moramos em Ceilândia e lá não tem muito dessas coisas. Até deveria ter, mas não tem. Aí, você chega aqui e consegue fazer parte da festa do aniversário sem agitação”, disse o jovem Bruno Ferreira, de 17 anos. Ele e as amigas Isabele e Ana, ambas de 16 anos, estenderam uma toalha no chão e fizeram, de fato, um piquenique. “Muito mais barato do que uma grande festa e muito mais gostoso”, apontaram.
Sem mega-eventos
Entre as centenas de grupos com suas cangas espalhadas no gramado do parque, havia também aqueles que só saíram de casa graças à insistência de amigos. Mas, sem arrependimentos. A comemoração surpreendeu e agradou. “Estamos achando ótimo. É gostoso estar aqui com toda essa tranquilidade à nossa volta. Isso mostra que Brasília não precisa mesmo de um mega-evento. Basta aproveitar mais e melhor os espaços que já temos, como o Parque da Cidade”, constaram os amigos Marina Rodrigues, de 17 anos, Wesley Victal, de 38, Jean Brea, de 35, Sabrina Schievelbein, de 32 e Daniela Rodrigues, de 21.