Paradas cheias, trabalhadores atrasados, transporte pirata e ônibus de outras empresas superlotados. Esse foi o resultado da paralisação dos 47 ônibus da Expresso São José, que atuam na região de São Sebastião. Apenas os veículos da Pioneira e da Grande Brasília circularam normalmente na manhã de ontem.
Para desespero dos moradores que dependem do transporte público na cidade, os 130 motoristas que atendem a área fizeram um protesto reivindicando o cumprimento de um dos pontos do Termo de Ajuste de Conduta (TAC), acertado entre o governo e as empresas que perderam a concessão para atuar em algumas regiões do DF.
Segundo o TAC, a São José poderia desligar os funcionários que desejassem continuar trabalhando em São Sebastião e eles seriam reaproveitados pela Pioneira, nova empresa vencedora do processo licitatório para atuar na área. Funcionários da empresa denunciam, porém, que a operadora estaria dificultando as demissões e remanejando os empregados, a contragosto, para outras áreas do DF onde continua operando.
Os passageiros foram pegos de surpresa. A maioria nem sabia do manifesto e a chuva forte ainda piorou a situação. “Já estou esperando há mais de uma hora. Agora vou ter que pegar um ônibus da Pioneira para rodoviária e de lá para o meu trabalho. Enquanto eles não conseguem o que querem, nós ficamos na parada. Um transtorno”, reclamou a auxiliar de serviços gerais, Maria Isalena, de 59 anos.
Super lotados
O jardineiro Diego Lopes, 28 anos, desistiu de entrar em um dos veículos porque estava superlotado. “Eu vou para o Lago Sul, utilizo os ônibus da Pioneira. Acontece que como hoje a São José está de greve eles ficam muito cheios. Normalmente já demora. Em dias de paralisação então, nem se fala. Prejudica todo mundo!”, lamentou.
Piratas
A auxiliar administrativa Luana Cristina, 28 anos, disse que chegou a ir para a parada mais cedo, mas como não passavam ônibus, voltou para casa. “Estou tentando pela segunda vez”, completou.
Os veículos piratas aproveitaram para faturar. Vãs e ônibus irregulares – e abarrotados de passageiros apressados- passavam pelas paradas a todo instante, gritando seus destinos.
Resolução
Em resolução publicada no Diário Oficial do União, ontem, o diretor geral do DFTrans, Marco Antônio Campanella, garantiu o pagamento das rescisões dos funcionários que forem demitidos e determinou que, considerando a Lei 4.011, “terão prioridade no pagamento das verbas rescisórias os empregados das áreas fim, ou seja, aqueles que operam diretamente na operação da frota (motoristas)” e que para fins de pagamento dessa verba, “as empresas deverão elaborar o Termo de Rescisão Contratual de Trabalho – TRCT” e estar em dia com outros pagamentos.
Governo diz que empresa não colabora
Durante a paralisação, ocorreu uma reunião com o presidente do sindicato, João Osório, os dirigentes da São José e autoridades da Secretaria de Transporte e do DFTrans. A conversa, no entanto, não resolveu o impasse e o protesto continuou.
“Fizemos uma enquete e o resultado mostrou que cerca de 90% dos funcionários desejam continuar nos setores em que estão hoje”, comentou o diretor do Sindicato dos Rodoviários, Jair Reis.
O motorista Edgard Barros, 51 anos, é um deles. Ele mora na Cidade Ocidental (GO) e diz que já precisa acordar às 4h30 para estar às 6h na empresa. “Isso morando aqui do lado, imagina se fosse transferido para Ceilândia ou Brazlândia, como a empresa está querendo? Além disso, a São José sequer nos procurou para explicar o que estava acontecendo ou apresentar uma proposta”, acrescentou.
Carlos Koch, diretor-presidente da TCB, explicou, em nome da Secretaria de Transportes, que a São José é a única empresa que não está colaborando com o processo de demissão para a transferência dos funcionários. Isso porque entende que “não precisa gerar essa despesa já que pode remanejar os empregados para outras áreas que ainda atende”. A equipe do JBr. não conseguiu contato com a São José até o fechamento desta edição.
Sobre a conclusão do processo de transferência das regiões, das antigas empresas para as novas, vencedoras das concessões, Koch admite que, provavelmente, não deve ser concluída este ano.