Maiara Marinho
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Anta resgatada de incêndio no Parque Nacional de Brasília no dia 18 de setembro pelo Batalhão de Policiamento Militar Ambiental (BPMA) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), morreu no último dia 18. O Zoológico de Brasília fez o anúncio nas redes sociais, nesta quarta (23), e agora aguarda a necropsia, que será feita na Universidade de Brasília (UnB), para saber a causa da morte.
Somente em setembro, Brasília registrou 137 focos de incêndio em vegetação. As queimadas, que marcaram a seca histórica do Distrito Federal, atingiram a Floresta Nacional de Brasília e o Parque Nacional de Brasília, onde a anta macho foi encontrada no dia 18. Ela foi resgatada e levada ao Zoológico de Brasília para recuperação. O incêndio iniciado em 15 de setembro, durou 4 dias e atingiu três áreas do Parque: Bananal, Setor Capão Comprido e Eucalipto.
Com um quadro grave de desnutrição, sinais de inalação de fumaça e queimaduras severas nas quatro patas, o animal recebeu cuidados intensivos de veterinários, zootecnistas e tratadores por 30 dias. “Aos poucos, a equipe observou uma melhora significativa no estado geral e reversão do quadro de desnutrição. Ele se alimentava muito bem de folhas colhidas todos os dias, legumes e frutas, e bebia bastante água”, afirmou o Zoológico.
Apesar dos cuidados, na última sexta (18), um mês após o resgate, a anta macho não resistiu aos ferimentos e morreu. Agora, a equipe aguarda o resultado da necropsia, que será realizada na Universidade de Brasília (UnB), para investigar a causa da morte. “A perda desse animal que ainda teria uma importante trajetória no nosso cerrado, dispersando sementes e plantando florestas, nos alerta para a gravidade das ameaças que a nossa biodiversidade enfrenta todos os dias”, lamentou a equipe do Zoológico.
Outros animais estão sob cuidados
Neste momento, outros animais atingidos pelo fogo estão sob cuidados no local. Entre eles, os tamanduás-bandeira, Flora e o filhote Jatobá, que seguem em recuperação; e um Urubu quase apto a retornar ao seu habitat. O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) registrou 818 resgates de animais, sendo 273 mamíferos, 524 aves e 21 répteis durante a queimada no Parque Nacional de Brasília que avançou sobre 1.473 dos 42.355,54 hectares, segundo o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). “A redução, fragmentação do cerrado e as queimadas que devastaram o DF, nos mostram a missão de continuar protegendo a nossa fauna”, defendeu o Zoológico em nota.