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Brasília

Moradores do DF revelam o que esperam do Governo para 2013

Arquivo Geral

07/01/2013 7h55

Soraya Sobreira

soraia.sobreira@jornaldebrasilia.com.br

 

 

A saúde que não atende como deveria. O trânsito que não dá opção para o motorista, que se tiver que recorrer aos coletivos piora ainda mais ainda. A segurança pública também é cobrada, assim como a educação, sempre carecendo de mais investimentos. Estes e outros itens fazem parte da lista de alguns serviços essenciais que os brasilienses sonham em ter funcionando bem neste novo ano. O governo, por sua vez, fala das ações que traçou para fazer melhorias.

 

Saúde, transporte e segurança de qualidade são os pedidos da comerciante Estefany Romão, 19 anos, para este ano. “Do jeito que as coisas estão, não dá. O coletivo está sempre quebrando, e o metrô cada vez mais lotado”, se queixa a moradora de Ceilândia. A segurança, principalmente na região onde mora, também deixa a desejar. “Além disso, os crimes não têm mais hora para acontecer”, lamenta Estefany.

 

A dona de casa Bárbara Rodrigues, 23 anos, concorda e vai além. “A saúde e o transporte público apresentam problemas que não são de hoje. Os anos passam, e nada muda. A última vez que fui a uma UPA, por exemplo, cheguei às 9h e só fui atendida às 14h”, relembra. A dona de casa também se queixa da dificuldade em conseguir uma moradia própria. Ela diz que o marido está na lista aguardando um lote há muito tempo, mas estão quase desistindo. “Vamos comprar uma casa na Região Metropolitana do DF, pois custa mais barato”, conta Bárbara.

 


Frustrações

Weber Lima, doutor em sociologia e professor do curso de Direito e Relações Internacionais pelo Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb) considera que muitas destas frustrações de gestão são decorrentes do mau uso do dinheiro público. “Tem uma velha agenda que o governo não consegue resolver,  porque algumas verbas são transferidas para determinados setores considerados não tão urgentes, ignorando outras, como infraestrutura, segurança e saúde”, informa. O sociólogo considera que o maior desafio do governo seja mesmo a gestão dos gastos. “Não basta ficar apenas nas falas de campanhas de que melhorou e está ótimo, isto não é parâmetro”, diz

 

Para o cientista político e professor na Universidade de Brasília (UnB) Denilson Bandeira, o governo inicialmente foi constrangido pelo legado dos governos anteriores, e por isso teria demorado a executar serviços demandados pela população. “Avaliamos um mandato pelas grandes obras estruturais. Até agora, muitas obras prometidas não puderam ser levadas à frente porque foram embargadas pela inadimplência e acusações de corrupção. Vejo que o desafio é avançar neste ano, pois chegou o momento de retomada”, comenta.

 

Com base nas reclamações e sugestões, o Jornal de Brasília identificou 12 áreas que merecem atenção.

 

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1. Trânsito

Engarrafamentos estressam o brasiliense, que perde até horas em um trajeto que poderia ser feito em poucos minutos. O governo tem buscado alternativas, criando corredores exclusivos para ônibus e investindo em engenharia de trânsito. Mas, para o sociólogo Weber Lima, fica difícil reduzir os engarrafamentos quando o sistema de transporte público é precário. O subsecretário de Políticas de Transporte e Trânsito, Luiz Fernando Messina, afirma que o sistema   está passando por reformulação. “Não trata mais de um remendo, mas de ações voltadas para infraestrutura com obras como o corredor sul, ligando Santa Maria à área central, e o estudo para elaboração do projeto para ônibus articulados e convencionais”, detalha. Ele ainda cita  a construção de 11 terminais rodoviários e a   do metrô.

 

2. Ônibus

As idas e vindas da licitação estão entre as queixas dos usuários do transporte público.  O balconista Leonardo Teixeira, 30 anos, reclama dos atrasos dos ônibus e das condições da frota: “Estou acompanhando esta licitação dos ônibus e já estou desconfiado, porque a demora é tanta que acaba frustrando os cidadãos”. Na tentativa de melhorar o transporte público, o GDF lançou o processo de licitação para o Novo Sistema de Transporte Público Coletivo, mas apenas duas das cinco bacias foram licitadas. Luiz Fernando Messina reconhece que o Estado tem que ter presença forte no sistema de transporte, para não chegar à situação que ele definiu como deplorável. “Queremos que os ônibus estejam circulando nas ruas dentro do modelo previsto, além de concluir o Expresso do Eixo Sul, que liga Santa Maria à área central”, ressalta.

 

3. Educação

A expectativa dos brasilienses é de que mais escolas sejam beneficiadas com o ensino integral e mais creches sejam criadas em todo o DF. Francisca Gallardo, formada em História e mestre Antropologia Social, relata os desafios na Educação Integral, cobrando o compromisso entre os projetos do governo e os envolvidos neste processo. “A educação  cria condições para desenvolver as competências e as habilidades dos indivíduos”, comenta. Segundo a  Secretaria de Educação,  em 2012 foi disponibilizada educação integral em 272 escolas. Neste ano, a pasta pretende estender o programa em 48 escolas. “A previsão de passar a ter o serviço em 320 escolas irá beneficiar 48 mil alunos”, diz o coordenador de Educação Integral, Jeovany Machado dos Anjos. A meta é atender as 620 escolas até 2015.

 

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