Um grupo de moradores do Condomínio Ecológico Parque do Mirante, no Setor Habitacional Tororó, no Distrito Federal, afirma que abrigos e pontos de alimentação destinados a gatos comunitários foram retirados das áreas verdes do local. A medida, segundo o grupo, teria sido adotada pela administração do condomínio.
De acordo com os moradores, as estruturas haviam sido construídas pelos próprios residentes com a chegada do período de chuvas, com o objetivo de proteger a ração e garantir condições mínimas de abrigo aos animais. Após a instalação, os responsáveis teriam sido notificados e receberam prazo de 24 horas para a retirada das casinhas. Ainda segundo os relatos, os abrigos foram removidos e alguns recipientes de água e comida teriam sido encontrados danificados. Os animais são cuidados de forma coletiva e são considerados comunitários pelos moradores.

Ao Jornal de Brasília, a síndica do condomínio, Maria José Feitosa, contestou as informações e afirmou que não houve retirada total das estruturas destinadas aos gatos. Segundo ela, existe um espaço específico dentro do condomínio que concentra abrigos e pontos de alimentação, mantidos por protetores. A síndica explicou que a administração não autoriza a instalação de novos abrigos em outras áreas verdes. De acordo com ela, a medida tem como objetivo preservar o ambiente local, que abriga outras espécies, como saguis, saruês, lagartos e aves, além de garantir a acessibilidade nas áreas comuns.
Ainda conforme a gestora, as estruturas retiradas estavam instaladas em locais inadequados, como calçadas em frente às residências. “Foram essas que retiramos, o restante está tudo como estava”, afirmou, acrescentando que o condomínio está aberto para visitas a fim de verificar a situação. Além disso, Maria ainda negou que tenha havido retirada de alimento ou destruição de recipientes. Segundo ela, há vasilhas com comida distribuídas pelo condomínio e os moradores seguem autorizados a alimentar os animais.
Em nota, o Condomínio Ecológico Parque do Mirante informou que não se opõe às iniciativas de proteção, cuidado e alimentação de animais, reconhecendo o caráter social dessas ações. A administração destacou que, em 2017, foi aprovada a castração de gatos com recursos do próprio condomínio como forma de controle de natalidade. O documento ainda afirma que o condomínio mantém abrigos, comedouros e outras estruturas destinadas aos animais comunitários nas áreas comuns. “No entanto, ressalta que a instalação de novos abrigos deve seguir normas internas e a legislação vigente, com necessidade de autorização prévia da administração e, quando aplicável, deliberação em assembleia”, destacou a nota.
A administração acrescenta que o cuidado com os animais deve ser compatível com direitos relacionados à saúde, segurança, higiene e sossego dos moradores e reforça que permanece aberta ao diálogo para buscar soluções. O caso foi registrado na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que investiga a situação.