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Brasília

Moradores de rua no Distrito Federal esperam vida melhor em 2008

Arquivo Geral

27/12/2007 0h00

Desempregado, sales Silvio dos Santos, and 38 anos, deixou a família em Itaberaba (BA) há oito dias e seguiu de carona em direção a Brasília.

Assim como outras centenas de pessoas que emigram para grandes centros urbanos em busca de melhores perspectivas, ele pretende ingressar no mercado de trabalho e ter a oportunidade de adquirir um local para morar.

Por enquanto, tudo o que conseguiu foi um punhado de roupas e alimentos para preparar embaixo da árvore em que se instalou, na Asa Norte, área de classe média da capital.

“Espero uma melhoria aqui em Brasília. Que Deus vai dar uma melhora e a gente vai conseguir trabalho e um lugar fixo para a gente deixar de ficar em baixo de árvores. Lá [em Itaberaba] é pior. Aqui a gente acha um pessoal que pára o carro e dá uma assistência”, afirmou o morador de rua, que diz ter viajado durante três dias em um caminhão para chegar ao seu destino.

Para se proteger das chuvas do Planalto Central, comuns nesta época do ano, Silvio prefere improvisar uma cobertura com sacos plásticos e permanecer distante dos setores residenciais.

“À noite a gente arruma qualquer plástico e joga em cima por causa do vento. A gente fica aqui mesmo porque se a gente for para os prédios e para as lojas o pessoal não aceita e a gente não pode invadir as propriedades.”

Apesar dos sacrifícios, o morador de rua não demonstra arrependimento e faz planos para o ano que vem. “O Natal foi bacana. Ter vida e saúde é o importante. Espero que em 2008 eu esteja embaixo de um telhado e com emprego.”

Com expectativas diferentes está Maridalva Batista da Conceição. Também abrigada sob árvores, com neto e sobrinho, tudo o que a imigrante de Vitória da Conquista (BA) planeja é voltar para a terra natal.

“Quero voltar para a Bahia. Vou voltar com fé em Deus. Quero voltar para minha Vitória Conquista”, disse a mulher, que apesar de sentir falta da cidade, não esquece dos momentos difíceis vividos. “Lá na Bahia a situação sempre foi fraca e sem emprego. A gente sofre muito”, lembrou.

Quem também não pretende se estabelecer definitivamente em Brasília é João Paulo Pereira, 20 anos. Ele chegou há apenas dois dias da região metropolitana de Salvador, mas garante que só veio atraído pela oportunidade de receber doações.

“A gente não consegue arrumar emprego, então temos que esperar a boa vontade do povo por que tem muitas pessoas com o coração bom que ainda ajudam as pessoas aqui na rua. Espero que em 2008 eu consiga umas roupas boas e alimento. Depois que eu pegar isso aí, vou embora porque eu tenho filho lá na Bahia”, garantiu.

O movimento migratório típico desta época do ano é desaprovado pelo governo do Distrito Federal. A secretária de Desenvolvimento Social e Trabalho, Eliana Pedrosa, a exemplo de autoridades de cidades como Manaus (AM) e São Paulo (SP), recomenda que a população não contribua com esmolas para a população das ruas.

De acordo com a secretária, o governo local deve divulgar no ano que vem dados completos sobre a situação dos moradores de rua de Brasília. Até lá, uma campanha para inibir a doação de esmolas deve ser iniciada.

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