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Brasília

Moradores contestam derrubadas no Sol Nascente

Arquivo Geral

06/10/2016 20h16

Foto: Ana Lúcia Ferreira

Ana Lúcia Ferreira
ana.ferreira@jornaldebrasilia.com.br

Ânimos exaltados e barracos derrubados. Esta foi a realidade encontrada no Sol Nascente, em Ceilândia, na manhã desta quinta-feira (6). Foi o segundo dia que a Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) realizou a derrubada de barracos localizados na área conhecida como Chácara do Padre, sob a alegação de ter sido invadida recentemente e do solo ser impróprio para construções.

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A Secretaria de Estado de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh) disse que, para as pessoas que não têm parentes ou locais para onde ir, são oferecidas, além da possibilidade de instalação em abrigos, cesta básica, auxílio vulnerabilidade – no valor de R$ 408 – por até seis meses e auxílio aluguel – no valor de R$ 600 – por até 12 meses, mediante avaliação e monitoramento da pasta. Ainda de acordo com a pasta, foram 20 famílias atendidas no local, mas somente uma pediu acolhimento.

A Agesfis informou que o local onde os barracos estão sendo demolidos tem uma área total de 77 mil m² e que, nos dois dias de ação, foram desobstruídos 8 mil m². Ainda conforme o órgão, a área em que ocorrem as derrubadas tem construções que foram levantadas após julho de 2014 e que o pedido para a desocupação foi feito pela Defesa Civil após avaliação do solo. “É uma área pública que não comporta construções. Segundo a avaliação, todo o terreno é condenado por ser área de brejo”, informou.

Pela manhã, houve confusão. Os moradores contrariados com a derrubada arremessaram pedras e garrafas contras os policias. O Batalhão de Choque precisou ser acionado e conseguiu conter os manifestantes com o uso de bombas de efeito moral e balas de borracha. Um grupo chegou a atear fogo em um ônibus roubado à mão armada em um terminal da cidade.

“Alguns moradores dificultaram o acesso da polícia. Foram montadas barreiras com pneus e cordões humanos que impediam a nossa passagem. Como não foi possível um acordo, foi preciso o uso de outras medidas para conter os manifestantes”, afirmou o Capitão Rogério, da Polícia Militar.

No período da tarde, o clima ficou mais ameno. Alguns moradores retiravam móveis e partes das casas – como portões e janelas -, antes das demolições.

Parte dos moradores afirmaram que, há cerca de quinze dias, representantes do governo estiveram no local e prometeram que a área não seria demolida. “Vieram aqui e marcaram vários lotes, dizendo que seria para instalação da rede de esgoto e asfalto. Agora, chegam e derrubam tudo. Isso é desumano”, disse Beatriz Almeida, de 24 anos.

Segundo o relato dos moradores, nenhum deles foi notificado sobre a retirada das construções. “É uma injustiça o que estão fazendo com a gente. Aqui temos famílias e não precisava dessa brutalidade”, relatou Abimael Ferreira Castro, de 34 anos, enquanto colocava os móveis da casa em que mora com a esposa dentro do caminhão.

Moradores não têm para onde ir

Ana Cláudia de Oliveira, com a filha e a neta. Foto: Ana Lúcia Ferreira

Ana Cláudia de Oliveira, com a filha e a neta. Foto: Ana Lúcia Ferreira

Residente no local há três anos, Ana Cláudia de Oliveira, de 40 anos, diz que nenhum morador teve apoio do governo. A mulher mora em um dos barracos que está na área a ser derrubada com a filha e a neta e diz que não tem para onde ir. “Falam que vão levar a gente para abrigo, mas não tem nenhum abrigo que tem vaga. Sem contar que nesses lugares, muitas vezes, corremos riscos”, relatou a manicure.

 

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