O brasiliense já está acostumado: é só chegar o fim de ano e a cidade esvazia. Mas essa realidade tem mudado nos últimos anos. É cada vez mais comum a capital receber visitantes nesta época, parentes de moradores do Distrito Federal que aproveitam para conhecer os monumentos e atrativos do “quadradinho”. E isso ocorre também em outros períodos do ano. O número de desembarques na cidade já superou o montante calculado no ano passado.
Só no primeiro semestre de 2013, cerca de 2 milhões de pessoas chegaram a Brasília, seja para participar de feiras, eventos, para lazer ou para co nexões com outras cidades. Em 2012, o balanço apontou, aproximadamente, 1,9 milhão de desembarques. Com os grandes eventos de 2014, a cidade se prepara para receber ainda mais visitantes.
Lazer
De acordo com a Secretaria de Turismo, nesse período de férias o turismo de lazer tem aumento considerável na cidade, principalmente durante as festas de fim de ano. O casal Antônio Carlos e Viviana Cabral veio de Pernambuco para visitar familiares e aproveitou para passear pela cidade. “Cidade planejada é outra coisa, né? Tudo tão bonito e organizado”, valoriza o comerciante Antônio. Ele e a mulher estavam ansiosos em conhecer a Catedral, no centro de Brasília. “Essa Catedral é bem falada, muito famosa. Falando em Brasília a gente pensa nessa arquitetura”, confessa a funcionária pública Viviana, que pesquisou muito a respeito da cidade antes da viagem e aproveitou muitas dicas de amigos e parentes residentes em Brasília.
Estrangeiros
Além dos brasileiros que aproveitam para conhecer a cidade, alguns estrangeiros escolhem fugir do inverno no Hemisfério Norte para visitar Brasília.
Grande incentivo ao consumo
A alta de turistas afeta positivamente vários setores da cidade. Uma pesquisa feita pelo Ministério do Turismo revelou que quanto maior a renda, maior a intenção de viajar. É o que mostra o resultado da pesquisa Sondagem de Intenção de Viagem do Consumidor, edição de novembro de 2013. O levantamento mensal revelou que 55% dos entrevistados que ganham acima de R$ 9,6 mil pretendem viajar nos próximos seis meses. Entre os que ganham até R$ 2,1 mil, a intenção reduz para 12%, mas ainda é um dado animador.
Consumo
Com a viagem, vem o consumo de souvenir e todo tipo de compras durante os passeios turísticos. Vendedores e comerciantes como Amsterdã Andrade dependem disso. “Já passaram muitas pessoas aqui esta semana, mas ano passado as vendas estavam melhores. De qualquer forma, todo mundo adora levar uma lembrancinha da cidade. Vendo cinco chaveiros com fotos da cidade por R$ 10”, destaca o animado vendedor, que aborda turistas em frente à Catedral.
Falta de informações
Nem todos os turistas têm só elogios à capital. Odair Alexandre veio de carro de Curvelo, Minas Gerais, e esperava um cuidado muito maior com os pontos turísticos. “Falta informação e sinalização e o acesso podia ser melhor. Por ser a capital do País, imaginei que seria tudo mais limpo e bem cuidado. Parece que ninguém arruma essa praça há um ano”, comenta o representante comercial, sobre a Praça dos Três Poderes.
CATs
A dificuldade de encontrar informações sobre a cidade não é reclamação exclusiva de Odair. A cidade, que já chegou a ter sete Centros de Atendimento ao Turista (CAT) em funcionamento, só tem três abertos nesse período: Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, na Rodoviária Interestadual e na Praça dos Três Poderes. Todos os CATs do Setor Hoteleiro encontram-se em um processo de transição para novos pontos que visam potencializar os serviços prestados, de acordo com a Secretaria de Turismo.
Calma
A professora Carmen Dennis é norte-americana e veio para a cidade visitar um primo e conhecer a capital brasileira. “Achei a cidade muito calma. Esperava mais gente, mais bagunça”, assume a jovem, que mora em Washington DC, capital dos Estados Unidos.
Apesar da expectativa frustrada, Carmen gostou muito das áreas de lazer e belezas naturais da cidade. “É tudo muito bonito, e limpo. Fomos para a Feira da Torre de TV, uma feira de Natal, um shopping. Mas eu gostei muito do Lago Sul (Pontão) e, mais tarde, vamos andar de caiaque no lago”, destaca ansiosa.
Gastronomia diversificada
Brasília recebeu, ao longo de seus 53 anos de vida, representantes de todos os estados brasileiros. São pessoas que vieram trabalhar na construção da cidade e tentar uma vida melhor, além de funcionários públicos transferidos junto com a capital. Há também grande número de estrangeiros, por conta das embaixadas instaladas junto ao centro do poder nacional.
Isso faz com que o Distrito Federal tenha uma cultura bastante diversificada, o que se reflete na culinária local. É possível encontrar bons restaurantes das mais diversas cozinhas e com todos os tipos de influência internacional.
Mas o mais forte é mesmo a cozinha regional, com representantes de cada recanto do País. E não precisa ir muito longe para saborear um prato típico de cada região. A Feira da Torre, por exemplo, tem do tacacá ao acarajé. É só escolher e apreciar.
Feiras
Para quem gosta de andar um pouco mais, as feiras das cidades que circundam a capital são uma atração à parte: buchada de bode, rabada e outros pratos típicos nordestinos são atrações em várias barracas. O visitante ainda aproveita e faz umas comprinhas.