Ana Karolline Rodrigues
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O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) passou a investigar um esquema de venda de cirurgias realizado dentro do Hospital Regional de Taguatinga (HRT). O caso, exposto em primeira mão pelo Jornal de Brasília, envolve a antiga supervisora de emergências do HRT, Ruby Lopes, que foi exonerada nessa segunda-feira (27).
De acordo com o promotor Cleiton Germano, que apura o caso, o MPDFT busca agora ter acesso aos áudios originais da ex-servidora, que ainda devem ser periciados. Além disso, o órgão também deverá ouvir Ruby antes de chegar a uma conclusão quanto às investigações.
Nessa segunda, a exoneração da servidora pública do cargo comissionado foi assinada pelo governador em exercício do Distrito Federal, Paco Britto (Avante), após a Secretaria de Saúde do DF instaurar um processo administrativo contra a mesma. O ato foi publicado ontem, em edição extra no Diário Oficial do DF (DODF).
Como Ruby é uma mulher trans, sua nomeação para o cargo que ocupava no HRT, publicada no dia 6 de fevereiro de 2019, aparece no DODF como Edson dos Santos, seu nome de registro. Segundo o Governo no Distrito Federal (GDF), ela será substituída agora, na Supervisão de Emergência do HRT, pelo servidor Luiz Ricardo Mota do Nascimento.
Outras exonerações
Ao Jornal de Brasília, uma fonte sigilosa informou que Ruby já foi exonerada do HRT pelo menos três vezes. Procurada pela reportagem e questionada quanto a estas exonerações, ela inicialmente negou. Durante entrevista, porém, disse que trabalhava como servidora pública no local há dez anos e que “sempre que muda de deputado, ele exonera todo mundo do cargo, porque é cargo comissionado”.
Ainda segundo a mesma, os motivos das exonerações passadas decorreram de “fofoca” e da tentativa de alguns servidores que estariam querendo derrubá-la. “Fui exonerada, mas não foi sobre isso [vendas de cirurgias], foi fofoca, o povo com inveja fica fazendo fofoca”, afirmou. “Eu conheço muita gente que quer me derrubar”, completou.
Polícia Civil também investiga
Segundo o delegado Leonardo de Castro, da Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e aos Crimes contra a Administração Pública (CECOR), da Polícia Civil do DF, ainda em 2018, foi instaurado um inquérito policial para investigar a profissional. Agora, após o esquema ser exposto, ele acredita que a corporação pode ter mais recursos para seguir com o caso. “O que a gente vai fazer agora é tentar ouvir mais pessoas para isso”, disse.
Para ajudar as investigações, então, ele informou que vítimas do esquema de vendas promovido pela ex-supervisora de emergências do HRT podem procurar a PCDF para realizar denúncias, ainda que anonimamente.