Foi dada a largada para um mês inteiro de carnaval no Distrito Federal. O primeiro fim de semana com folia foi chuvoso e frio, mas não afastou a empolgação do bloco Abrindo a Roda, no Sudoeste. Com pulos para esquentar o corpo e muitas marchinhas, crianças, jovens e adultos começaram as comemorações. O último bloco será no dia 17 de fevereiro.
Lá, o grupo é velho conhecido. Os integrantes costumam se reunir aos fins de semana embaixo de uma árvore no Parque Urbano Bosque do Sudoeste para tocar um samba. Geralmente, cada um leva seu instrumento e sua musicalidade. Neste, ano, o grupo se transformou em bloco de Carnaval. E a comunidade, de forma voluntária, levou a folia para o parque.
De acordo com a Polícia Militar, entre cem e 150 pessoas pularam o pré-Carnaval. Entre confetes e serpentinas, corriam pequenas princesas e heróis no ambiente considerado familiar por quem estava lá. “É minha primeira vez aqui, nunca tinha ido sequer ao chorinho. É um evento muito família, sem álcool, só com diversão e música boa”, enalteceu a jornalista Luana Reis, de 34 anos.
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Garoa insistente
O clima em 22 ºC e a garoa que insistia em cair em intervalos curtos fizeram com que muitos adaptassem as fantasias. Sofia, de dois anos, colocou uma meia-calça e uma roupa de rato para aproveitar cada segundo com os pais. O casal Mariana e Bruno Moreira, ambos funcionários públicos de 28 anos, foram curtir e prestigiar os parentes que tocam na banda.
“Abrindo a roda” resgata blocos de bairro
Danilo Coelho, 35 anos, é um daqueles que, nos fins de semana, se reúne para tocar e ouvir um samba à sombra das árvores. Como organizador do bloco Abrindo a Roda, ele explica que a sugestão veio da própria comunidade: “A intenção é resgatar esses blocos pequenos, de bairro, com marchinhas clássicas e composições de brasilienses”.
Camisetas foram vendidas para alugar tendas e caixas de som. “Não precisamos de ajuda. Foi tudo organizado entre nós. Foi uma surpresa que tenha amanhecido frio e uma maior ainda ver que isso não afastou a comunidade”, comemorou.
Enquanto a proximidade das áreas residenciais provoca resistência de moradores aos blocos de Carnaval, o grupo do Sudoeste parece não enfrentar empecilhos. “Não tivemos reclamação. Fizemos em horário tolerável”, observa Danilo. Mesmo assim, ele afirma que “música de Carnaval não deve ser considerada barulho”.
Para Carlos Garcia, 62 anos, as realidades do Sudoeste e da Asa Sul, onde se concentra a polêmica, são diferentes. Ele parou sua volta de bicicleta para prestigiar o bloco. “Isso não incomoda. Na Asa Sul, é mais complicado, fica embaixo dos edifícios”, opina.
Saiba Mais
No sábado, as prévias ficaram por conta do Samba de Buteco com o Bloco do Calango Careta, no bar Pardim, na 405 Norte, e de um esquenta da Liga dos Blocos Tradicionais, na 302 Norte.
Até o último dia de Carnaval, quase 50 blocos devem ocupar as ruas do DF. A expectativa das agremiações é receber um público de 1 milhão de pessoas durante a festa, assim como o registrado no ano passado.