Amanda Karolyne
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A inflação de 2017 teve a estimativa reduzida pelos economistas do setor financeiro que, pela primeira vez em quase sete décadas, calcularam um índice abaixo de 3% para este ano.
O relatório Focus do Banco Central aponta que a inflação deste ano deve ficar em 2,97%. Ficará portanto abaixo da meta central para o ano, que é de 4,5%, e, também, abaixo do piso de 3% do sistema brasileiro de metas. Tudo pela primeira vez desde 1999, quando o sistema de metas teve início.
A verdade é que a inflação brasileira supera os 6% ao ano desde 1948, exatos 69 anos atrás. Uma série de pacotes heterodoxos conseguiu reduções importantes, mas nenhum deles durou mais do que oito meses antes de que a inflação ressurgisse com força total.
Com o Plano Real, de 1994, conseguiu-se a primeira queda consistente. Mesmo assim, nenhum ano após o plano teve inflação tão baixa quanto agora.
O presidente da Fecomércio, Adelmir Santana, acredita que a redução na inflação representa aumento no poder de compra da população. “A diminuição do preço faz com que o ajuste da inflação fique a nível de primeiro mundo”, pondera.
A população sente a diferença em pequenas coisas, Paulo Vaz, 51 anos, trabalha no Banco do Brasil e percebe como a inflação afeta o orçamento familiar. “Preço sobe e salário continua a mesma coisa, mas eu ando observando como os preços dos alimentos caíram”, comenta. Ele destaca que o preço da carne também está menor.
Ele lembra da meta alta da inflação, e acredita que os números hoje estão melhores, mas ainda têm muito o que melhorar. “Tenho lembranças da inflação alta, não dava pra comprar o que tinha orçado no começo do mês”, finaliza.
Os estudantes Emanuel Silva 21, e Paola Miranda, 21 brincam: dizem que, mesmo em queda, está complicado o índice de inflação, tanto assim que eles acabaram ficando com dívidas e o nome sujo.
Paola aponta a gasolina como causadora de nova alta na inflação, após o aumento de impostos sobre combustíveis. Cita até uma semelhança com os velhos tempos. “Não tem estabilidade no valor, quase todo dia somos colocados em uma situação de um preço diferente”, comenta. Para Emanuel, quem mais se prejudica são as famílias que dependem de cesta básica.
Na contramão, DF tem alta de preços
Mas de acordo com dados da Codeplan, no Distrito Federal o quadro é outro. A inflação oficial de Brasília, teve o IPCA calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e no mês de agosto teve aumento de 0,45% comparado com julho de 2017.
Segundo a Codeplan, DF apresentou queda de inflação em alguns setores, mas com setores como de transportes, com a gasolina, e de habitação, o IPCA permaneceu alto.
Essa alta quebrou a trajetória dos meses anteriores, que aparentava constante redução dos índices de preços na capital.
Adrian Alencar, 23 anos, estudante de jornalismo, conta que a alta na inflação influencia indiretamente o dia a dia dele. “Nas necessidades mais básicas somos muito impactados com o índice da inflação”, afirma.
Ele aponta que como Brasília é a cidade dos concursos, é impossível ter uma queda de inflação como a do Brasil todo. “Aqui a maioria das pessoas são concursadas e seu estilo de vida alto acaba piorando para quem não tem dinheiro”, avisa.
José Luiz Pagnussat, ex-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), confirma que o DF teve a segunda maior inflação do país no mês de agosto. “Só perde para Recife”, aponta. “Nos últimos doze meses, o índice de Brasília foi de 3.99%”.
Ele explica que isso significa que o brasiliense agora está com capacidade de compra menor. “O que é complicado por vários itens”, comenta. O setor de habitação estava caindo, mas ele comenta que agora está crescendo 6.3%. “A energia elétrica teve aumento de 14.44%, contra uma média nacional baixa de 5.14%”, alega.
Os números no DF ficam muito acima dos nacionais. O transporte teve um crescimento de 6,88% , quando o nacional foi de 3,08%. “Nesse caso, o transporte público entra com o reajuste tarifário acima da média”, destaca Pagnussat.
Para Adelmir Santana, as taxas de juros estão altas, e isso deveria mudar. “Mas atribuo a gasolina e alimentação, que o DF tenha a inflação e os preços elevados”, destaca. “Como os juros não baixam, as compras são reduzidas”.
Ponto de vista
O economista Luiz Zottmann, que está lançando o livro “Vendo a vida pela economia no Brasil”, comenta que Brasília sofreu uma pequena elevação do IPCA, mas ainda está muito abaixo da meta.
“Claro que essa elevação não é boa para o consumidor brasiliense, nem para o mercado”, comenta. Zottmann afirma que em regiões de maior poder aquisitivo os preços são mais elevados.
Apontando que acima de tudo a inflação é um fenômeno monetário caracterizado por ter demanda maior que a oferta, ele acredita que a estimativa nacional esteja diminuindo porque a política econômica do governo está se adequando as circunstâncias do mercado. Ele aponta que o Banco Central vêm reduzindo a taxa de juros, o que reduz a pressão dos custos de quem pega dinheiro emprestado.