Eric Zambon
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Os jovens estão espremidos entre o contexto econômico do País – são quase 13 milhões de desempregados atualmente, conforme o IBGE – e a pressão para que eles sejam bem sucedidos. Como agravante, uma pesquisa encomendada pela associação Arcos Dourados, operadora da marca McDonald’s na América Latina, mostrou que sete a cada dez rapazes e moças entre 18 e 25 anos acreditam que a sociedade não confia nos talentos da geração.
O assunto foi debatido durante o 1º Fórum Acreditamos nos Jovens, realizado em São Paulo no último dia 4, e gerou reflexão por parte dos especialistas convidados. “Eles querem se sentir inseridos e saber que pertencem a algo maior”, resumiu Ilton Teitelbaum, professor-adjunto da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e coordenador da pesquisa. “Os jovens brasileiros esperam que a sociedade confie mais neles neste momento, e não em um futuro distante”, completa.
Para Alice Leite Costa, moradora de Águas Claras e recém-formada em Comunicação Social, 21 anos, a prova da falta de confiança está no perfil da maioria das vagas à disposição, com exigências costumeiramente acima do padrão de um jovem em crescimento na carreira. Ela também busca se inserir no mercado e faz reclamações. “Eu até brinco que às vezes a empresa pede para você fazer de tudo, mas aí você começa a pensar que não faz nada direito. É raro eles estarem dispostos a te dar uma oportunidade para conhecer as coisas”, analisa.
Na visão dela, isso gera receio e desconfiança e abala bastante o psicológico dos jovens. “O recém-formado sabe que é difícil conseguir um super trabalho, então queremos apenas uma coisa tranquila, pode até pagar o piso. O que frustra é que mesmo essas vagas assombram (por causa das exigências) e as pessoas ficam com medo até de concorrer”, critica.
Presente no Fórum, Camilla Schahin, gerente de empregabilidade da Kroton, empresa do ramo de educação, avalia que esse tipo de situação afeta o interesse nos jovens. A falta de muitas histórias de sucesso dos chamados millenials, por vezes intitulados de geração “nem nem” (nem trabalha nem estuda), também colabora.
“Muitos alunos são chamados para entrevistas bacanas, para boas oportunidades, mas não demonstram interesse em participar do processo seletivo, normalmente por insegurança”, atesta Schahin, que tem contato com a formação de até 300 mil jovens todo ano.
Desemprego é maior entre 18 e 25
A população entre 18 e 25 anos tem sofrido mais com o desemprego. Enquanto a taxa constatada pela Pnad Contínua de novembro, do IBGE, registrou taxa geral de 12,7%, entre os jovens o índice é de 25%. Para Sofia Esteves, presidente do Conselho do Grupo Cia de Talentos, empresa de recrutamento, é papel dos contratantes desenvolver a autoestima da juventude, até para benefício próprio.
“A gente tem que garantir espaços políticos e econômicos a esse jovem porque isso vai dar retorno”, garante. A pesquisa revelou que 77% dos jovens entrevistados apontam para a falta de uma experiência anterior, 69% para a falta de oportunidades, 68% para a falta de confiança na sua geração e 58% para a dificuldade de transição do ensino médio para o mercado.
Daniela Souza, estudante do 6º semestre de Artes Cênicas na Universidade de Brasília, diz que até para conseguir estágio os empregadores têm pesado a mão nas exigências. “Esperam muito da gente, mas a gente não tem experiência”, lembra. Segundo ela, isso está impregnado no conceito das empresas. “Sempre quando algo dá errado, culpam o estagiário. É muita cobrança com certeza. Já esperam que você saiba fazer as coisas bem e não é bem assim. Somos seres humanos e não máquina”, desabafa.
Existe a pressão porque a geração de agora tem, em seus pais, pessoas qualificadas, diferente de boa parte da geração anterior, que subiu de posição social depois de viver realidades difíceis. Deveria ser mais fácil, mas nunca é.
Ponto de vista
O professor de economia Hélio Zylberstajn, da Universidade de São Paulo (USP), acredita que uma saída para trazer mais jovens ao mercado e ajudar a combater o desemprego é integrar cursos profissionalizantes e técnicos ao currículo do Ensino Médio. Isso se daria, principalmente, por meio de parcerias com empresas, que absorveriam os aprendizes e ofereceriam o conhecimento. “A escola não precisariam ter as máquinas, apenas a estrutura para ensinar a parte teórica. E a parte prática ele aprende com o supervisor da empresa”, resume. “Esse sistema custa pouco, pois o estado não teria de investir. Ao mesmo tempo, o aluno ficaria encaminhado em um emprego, pois a empresa já instruiria o jovem para o que ela quer”, diz. Ele acredita que deva existir uma mudança de cultura no Brasil, pois o País valoriza sobremaneira o ensino acadêmico. “Não se pode achar que conhecimento é só na universidade”, conclui.