Os maus-tratos ao menino de 5 anos, supostamente agredido pela mãe e pelo padrasto em Águas Claras, vão muito além
do espancamento. Ontem à tarde, o garoto foi internado no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), após apresentar febre e reclamar de dores no corpo na primeira noite que passou na companhia do pai. Preocupado, o pintor Henrique dos Santos, de 27 anos, levou o filho ao hospital para fazer exames. O resultado mostrou que o garoto está com diabetes tipo I e pneumonia. Segundo familiares, a internação foi pedida para que ele tome medicação intravenosa e fique em observação.
O menino chegou ao hospital por volta das 12h30, acompanhado do pai. “Ele está tossindo há mais de uma semana e me contou que chegou a dormir no quarto da empregada porque o barulho da tosse incomodava o padrasto”, conta Henrique.
O garoto está internado no Pronto-Socorro do Hospital Materno e deve permanecer lá, apesar de possuir plano de saúde particular. “Co mo ele já estava sendo acompanhado pela equipe do hospital, achamos melhor que permanecesse lá”, explicou a advogada do pai do menino, Vanessa Patrícia da Silva. Segundo ela, que resolveu ajudar Henrique após tomar conhecimento do caso através do grupo Mães Amigas de Águas Claras, a decisão judicial determina que a mãe não se aproxime da criança, o que quer dizer que ela não poderá visitá-lo no hospital.
Henrique conta que na noite de sexta-feira ele e o filho conseguiram ter breves momentos de descontração. “Brincamos e conversamos. Ele dormiu bem, teve apenas um pouco de febre, que acredito ser de fundo emocional. Quando acordou, eu o convidei para jogarmos bola e ele não quis, disse que preferia assistir TV. Percebi que estava desanimado e reclamava de dores pelo corpo, por isso resolvi levá-lo ao hospital”, comenta.
Outra representante do Mães Amigas esteve no hospital, a empresária Fabiana Tom, 42 anos. “Felizmente conseguimos que ele realizasse o raio x e começasse a ser medicado. Um menino dessa idade ter diabetes tipo I é um absurdo e dá uma ideia de que tipo de alimentação ele deveria receber em casa”, lamenta Fabiana.
Conselho tutelar foi quem avisou
Após quase três meses sem poder ver o filho, Henrique foi informado pelo Conselho Tutelar, por telefone, na última sexta-feira, de que o menino estaria sofrendo maus-tratos. As denúncias teriam sido feitas pela babá do garoto. Ao pai, ela disse que a mãe e o padrasto agrediriam o menino à noite e que teria sido alertada por vizinhos. “Uma vizinha a procurou e disse que ouvia barulhos constantes de brigas vindos do apartamento. Acreditando que o menino sofria maus-tratos, ela chegou a registrar uma denúncia anônima no Disque Denúncia. A babá encontrou manchas roxas no menino e resolveu tirar fotos dos machucados pelo celular”.
A babá também fez fotos de um lençol sujo de sangue. Segundo ele, antes de ir dormir, o padrasto lhe deu uma bofetada que fez seu nariz sangrar”, indigna-se. De acordo com o pintor, o garoto relatou ter sido agredido até com barra de ferro.
Procurada, a mãe do garoto disse ter sido orientada por seus advogados a não falar sobre o caso.
Saiba Mais
O pai do garoto informou que o padrasto do garoto era chefe de sua ex-mulher, com quem conviveu de 2006 a 2012.
O casal se mudou para Águas Claras e levou o menino.
Memória
No dia 14 de abril, o corpo do garoto Bernardo Boldrini, de 11 anos, foi encontrado enterrado em uma mata na cidade de Frederico Westphalen, a 80 quilômetros de Três Passos (RS).
O menino estava desaparecido havia dez dias e teria sido visto pela última vez quando a caminho da casa de um amigo.
Desde o dia em que o corpo de Bernardo foi descoberto, o pai, a madrasta e uma amiga dela – que teria ajudado a ocultar o corpo – estão presos.
Antes de ser morto, o próprio garoto chegou a procurar o Ministério Público para denunciar os maus-tratos que sofreria em casa.
Serviço
Para denúncias de maus-tratos, ligue para a Secretaria da Criança: telefones 3234-8555 e 3234-2876. O serviço funciona 24 horas e garante o anonimato de quem liga.